A frota de veículos de Suzano cresceu 4,6% entre os anos de 2016 e 2017, passando de 128.438 motores nas ruas para 134.350, em dezembro do ano passado. O índice é apontado segundo levantamento do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detrans-SP) e considera o número total de carros, ônibus, caminhões e outros tipos de veículos. Contudo, de acordo com o setor, vale ressaltar que a frota nas cidades muda constantemente. Isso porque os municípios recebem novos automóveis zero quilômetro, bem como outros vindos de diferentes localidades, além das transferências e o registro de acidentes de perda total do veículo.
O maior aumento verificado foi no número de reboques e semirreboques na cidade, que saltou de 1.635 para 1.735, resultando na variação percentual de 6,1%. Os veículos Leves Tipo 2 também aumentaram significativamente em Suzano, passando de 14.783 para 15.641, o que representa 5,8%. A categoria corresponde aos micro-ônibus, camionetas, caminhonetes e utilitários. Outros tipos de veículos menos usuais, como caminhão-trator, trator de rodas, trator de esteiras, trator misto, chassi-plataforma, sidecar e motor-casa acresceram 5,36% em 2017, em comparação ao anterior, chegando a 118 registros.
Os carros aparecem em maior quantidade na cidade, que abriga 94.274 automóveis. O índice subiu 4,7%, em comparação a 2016. Os ciclomotores, motonetas, motociclos, triciclos e quadriciclos aumentaram 3,5% no município suzanense. A categoria, denominada Leve Tipo 1, passou de 16.709 para 17.294, em dezembro passado. Já os caminhões apresentaram o menor aumento, de apenas 2,46%, com 4.324 em circulação. A única frota a decair foi a de ônibus. O grupo teve queda de 0,31%, com a perda de três coletivos em Suzano, onde atualmente há 964 registrados.
Urbanista prega planejamento conjunto no Alto Tietê
O professor e coordenador da graduação de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Braz Cubas (UBC), José Francisco Xavier Magalhães, explicou em entrevista ao DS como o investimento no transporte público de qualidade e o planejamento da mobilidade urbana, pensada em conjunto com as demais cidades, são importantes para o controle do contínuo crescimento da frota de veículos nos municípios. Em Suzano, conforme o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detrans-SP), o índice cresceu 4,6% no último ano.
Segundo Magalhães, o aumento da frota é verificado nas cidades brasileiras, apesar das dificuldades econômicas enfrentadas nos últimos anos. "O fato de as concessionárias permitirem financiamento traz maiores possibilidades de acesso. E o carro ainda é o desejo de grande parte da população. Além disso, a matriz de transporte adotada para o país é o transporte particular. Isso é uma postura que vem de muito tempo".
O urbanista pontuou a falta de estrutura das cidades para receber o contínuo crescimento no número de veículos. Segundo ele, o transtorno é maior uma vez que o tamanho territorial dos municípios não se altera e o centro urbano é consolidado. "Tendo o entendimento de que não existe espaço suficiente para dar conta de um aumento de quase 5% da frota ao ano, o grande problema é que as ruas não estão preparadas", disse. "Tem que dar prioridade e qualidade ao transporte público. Essa é a grande saída para combater o crescimento do índice. Além de mais qualidade para andar a pé, também. Aumentar as calçadas e o espaço para ciclovias. É uma série de ações necessárias. As pessoas vão trabalhar de carro diariamente, gera congestionamento, poluição, há uma questão com o meio ambiente aí".
Diante da situação, o professor preza pelo planejamento da mobilidade. "É preciso um planejamento, que entenda a necessidade de um transporte de qualidade e rebatido no Plano Diretor da cidade, para que diminuam as distâncias da população entre morar e trabalhar". Para ele, não se deve buscar novas construções a fim de acomodar a frota porque não resolve o problema de fato. "Quanto mais espaço, mais automóveis. Então a ideia é pensar em conjunto. Ter um corredor para ônibus é uma coisa importante. O município não pode pensar em resolver só seu problema, tem que fazer de maneira integrada. Um corredor intermunicipal ajuda muito, assim como a utilização do trem e ciclovias. São alternativas que podem resolver minimamente a mobilidade".
BRT Perimetral Alto Tietê
A previsão de início das obras do BRT Perimetral Alto Tietê é para daqui a três anos. A construção deverá começar pela cidade Arujá. A via exclusiva para o transporte público coletivo ainda deverá passar pelos municípios de Poá, Itaquaquecetuba e Ferraz de Vasconcelos. A expectativa é de que o projeto executivo seja concluído até abril. A última audiência com a equipe técnica da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) ocorreu neste mês de fevereiro. Na ocasião, houve a apresentação do Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do Corredor Metropolitano.