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Cidades

Em Suzano, ONG aponta 114 casos de maus-tratos contra animais

Instituição foi responsável por repassar ao poder público 43 ocorrências neste período

09 abril 2018 - 23h18 Por Marília Campos - De Suzano
A ONG Projeto Adote Suzano (PAS) apontou 114 casos de maus-tratos animal ocorridos no município em 2017, registrados pela Secretaria do Meio Ambiente ainda durante o projeto piloto da política de bem-estar animal na cidade. A instituição foi responsável por repassar ao poder público 43 ocorrências neste período. Para a presidente da ONG, Marta Aparecida Rodrigues, o índice é baixo visto que grande parte da violência ainda é omitida e não denunciada pela população, que teme represálias por parte do agressor. Em 2018, a pasta municipal já averiguou 30 denúncias, das quais cinco foram procedentes. 
 
De acordo com a responsável, os casos geralmente acontecem nos bairros mais afastados e a falta de informação faz com que o povo seja omisso diante da situação testemunhada. "Muitas pessoas não denunciam por medo de se expor. Normalmente os maus tratos partem de um vizinho ou um parente", disse. "Com certeza existem muito mais casos, mas a omissão vem pelo medo e falta de conscientização. Além da falta de informação sobre como denunciar". 
 
Grande parte da violência animal, em Suzano, é contra bichos domésticos. Principalmente os cachorros. Não apenas as agressões são verificadas, como também o abandono e a ausência de atendimento veterinário. Sendo esses dois últimos as causas mais recorrentes para o acionamento dos órgãos competentes à defesa. "Tem gente que, quando se muda, deixa o cachorro na residência. Tudo isso envolve maus-tratos, deixam sem comida e sem água. Também há donos que, quando o animal fica debilitado, não leva ao veterinário. A bicheira vai comendo e ninguém presta cuidados, recorrente também em casos de tumores". 
 
Até 2016, o município não contava com a política de bem-estar animal. A iniciativa teve início em 2017, como projeto piloto. Neste ano, a Secretaria de Meio Ambiente implantou integralmente o atendimento. Entre janeiro e março, 30 denúncias foram atendidas pelo órgão público. "Do total, 25 casos foram considerados improcedentes e cinco procedentes. Nesses casos, há a possibilidade de aplicação de multas e lavratura de boletins de ocorrência, além de resgate e encaminhamento dos animais", informou a pasta. 
 
Marta explicou que as denuncias que chegam à PAS são repassadas à Secretaria de Meio Ambiente. Desde o ano passado, o órgão envia uma pessoa ao local, onde é feito um registro de fotografias e relatório. O material coletado é apresentado à ONG que protestou na secretaria. O primeiro passo é a orientação dos envolvidos. Após a visita ao espaço onde supostamente acontecem os maus-tratos, o denunciante é orientado quanto às constatações registradas. Um prazo é estabelecido para verificar se a situação voltará se repetir. 

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