Com a chegada da frente fria na região, os agricultores de Suzano estão preocupados com a situação da lavoura. A temperatura baixa, a alta geada e a falta de água da chuva prejudicam principalmente as hortaliças, podendo levar a perda total do produto.
Os agricultores estimam uma perda de 30 a 50% do total de hortaliças plantadas nesta época do ano. A perda das folhosas (alface, rúcula e espinafre), dos legumes e das raízes (batata-doce, beterraba e cenoura) é esperada no outono e inverno. Porém, com a inconstância do tempo, com as pragas (geralmente insetos) na plantação e o solo não fértil, a perda tende a ser maior do que o normal.
A agricultora Masue Nakamura, de 69 anos, conta que a situação está instável há 3 anos. Ela explica que a falta de chuva é o item que mais atrapalha o desenvolvimento das hortaliças. Além desse fator, ela acredita que as pragas que rondam e atacam sua plantação são um aviso do inverno rigoroso que ela espera para esse ano.
"Irrigamos pouco porque se não a água acaba. O clima está muito irregular, é difícil saber quando vai fazer frio ou não. Não temos certeza de mais nada e perdemos muito tempo criando estratégias para evitar a perda dos produtos. Por exemplo, uma safra de hortaliças leva 60 dias (no mínimo) para poder dar resultado e esse tempo de espera é difícil para o lavrador, pois você não tem certeza se que o produto vai dar lucro ou não. Não temos uma técnica especifica para lidar com isso. Temos que estudar o que vamos plantar para não temos tantas perdas", explica.
Masue acredita que o solo está infértil e que por isso, as sementes não estão se desenvolvendo. "Jogamos muita semente e muitas não se desenvolvem, mesmo sendo especiais para o inverno. Eu estou tentando plantar tomate, mas cadê o solo fértil? Aqui plantamos de tudo, milho e mandioca, sempre respeitando a época de cada um. Perdemos muitas folhas e raízes nesses últimos meses, por causa do solo e das pragas. Nós vendemos saúde para as pessoas, não podemos vender hortaliças com problemas", esclarece.
A baixa temperatura também preocupa o agricultor Jorge Higashi, de 53 anos. Para driblar as perdas, ele aposta na plantação de folhas mais resistentes. "Aqui plantamos acelgas, salsa, nabo, alface e cenoura. Nossa perda total acontece quando as folhas estão muito fechadas, porque não tem como recuperar o produto. Por isso priorizamos as folhas mais resistentes", conta.
Higashi também explica que com a variável na temperatura, a perda não tem sido tão imensa comparada aos últimos anos. Porém, o problema surge com a intensidade das geadas que ocorrem com frequência no inverno. "Tudo depende da quantidade de geada que cai e da quantidade do que plantamos".
Questionado sobre o frio intenso, Higashi explica que nesses casos não há muito o que ser feito. "Se está frio demais, não tem como a gente se prevenir. O que podemos fazer é colocar nas estufas, o problema é não temos espaço e nem investimento para encobri todas as hortaliças".