O Sindicato Rural de Suzano acredita que os agricultores da cidade terão de procurar outras atividades se a quarentena se estender para a época de frio. Houve queda de 80% no consumo de hortaliças desde o início da quarentena, segundo a associação.
Estima-se ainda que 600 trabalhadores da área estejam sendo afetados com o fechamento de feiras e comércios de hortifrútis, entre licenciados - cerca de 470 - e não legalizados. Quase todos estão tendo dificuldades para quitar, pelo menos, metade das suas dívidas.
O presidente do sindicato em Suzano, Ricardo Sato Suchiya, teme que o período de quarentena siga até a época fria do ano - normalmente entre maio e junho. A tendência, caso isso aconteça, é que os produtores tenham que procurar outros meios para pagar as contas.
"Estamos entrando no outono, mas a temperatura ainda está acima do normal. No inverno, o consumo diminuiria muito, se equiparando à problemática do Covid-19. Somando as duas, quase a totalidade de produtores teria que mudar de atividade, sem ter possibilidade de retornar", explica.
No período atual, já é difícil encontrar alguns tipos de sementes, algo normal para essa época do ano. O comércio de produtos agropecuários segue normal, de acordo com ele.
O grande problema dos produtores é com o fechamento do comércio no geral. Agora os agricultores não têm mais para quem vender.
"Não há demanda. Houve uma redução de 80% no consumo, porque são pequenos produtores rurais que atendem um comércio diferenciado, como quitandas, marreteiros e mercados pequenos da periferia. Se as pessoas não consomem na ponta, os produtores sofrem diretamente essa queda de demanda", justifica.Os produtores de Suzano exportam as hortaliças para outras regiões de São Paulo, principalmente a Zona Leste da Capital - maior mercado consumidor da América Latina, segundo ele. Neste caso, todos estão sendo afetados.
Tecnologia
Suchiya conta que algumas cidades vizinhas usam uma plataforma digital e outras até têm formas de comercialização. Entretanto, o presidente destaca que nada se equipara aos comerciantes que estão em quarentena. "Todos dependem deste público. Não tem como dizer que alguém está ganhando".
Ele ainda diz que a tecnologia, nestes casos, não ajuda muito. "Se falar que vamos usar uma saída tecnológica, vai atingir um número pequeno de produtores e de consumidores. Os mercados, feiras e quitandas são muito maiores do que isso", diz.