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Cidades

Redução de salários e jornada tentam evitar corte de funcionários em indústrias e empresas

Prorrogação da quarentena pode afetar os contratos de trabalho de funcionários

25 abril 2020 - 21h40 Por Carolina Rocha - de Suzano
A redução de salários e de jornada de trabalho têm sido a saída para indústrias e empresas evitarem o corte de funcionários durante a pandemia de Covid-19. Sindicalistas explicam que a quarentena pode afetar os contratos de trabalho e causar demissões em massa na região.
 
Pedro Benites, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano, afirma que a situação atual é muito complicada para as indústrias e seus trabalhadores. "Nós estamos vivendo um quadro muito difícil, tanto com a crise na saúde por conta da pandemia, quanto na economia. As empresas não têm para onde vender, não tem como produzir. E uma coisa vai levando a outra e vira aquela bola de neve", conta.
 
O presidente explica que por esse problema nas indústrias, algumas empresas já começaram a demitir seus funcionários. "A gente tem quadro de demissões de trabalhadores, assim como algumas negociações que também estão sendo encaminhadas para tentar evitar isso", conta.
 
De acordo com Benites, algumas ações foram tomadas pelo sindicato previamente para frear o risco de demissão. A primeira dessas ações foi de, em acordo com as empresas, dar férias coletivas, justamente para evitar desligamento de funcionários. "Nós fizemos isso para que os trabalhadores ganhassem tempo e tivessem condições de esperar para ver o que ia acontecer", diz. 
 
Entretanto, o presidente explica que na volta das férias, muitas empresas continuam sem serviço, e não conseguem produzir. Nesses casos, muitas indústrias têm optado por utilizar a medida provisória que prevê o corte nos salários e redução da jornada de trabalho, o que segundo Benites é uma alternativa para garantir o emprego.
 
"A partir do momento que passamos a discutir a redução de jornada e salário, automaticamente os trabalhadores têm que ter uma estabilidade no emprego. Eles vão sofrer coma redução do salário, mas vão ter o emprego garantido", conclui.
 
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Imobiliário de Mogi das Cruzes, Suzano e Região, Josemar Bernardes Andre, as alternativas para ao setor fabril e de móveis foi de forçar as férias coletivas e fazer suspensão provisória de contratos. Mesmo assim, o presidente explica que algumas empresas estão demitindo os funcionários. 
 
"Nós temos um problema com o setor fabril, isso porque ele está ligado diretamente ao consumo. Mais na fabricação de móveis e colchoaria. Essas indústrias produzem para venda direta, e com as lojas fechadas não tem como realizar a venda desse produto", explica.
 
Andre reforça que se a situação se alongar por muito tempo, os desligamentos poderão ocorrer nas próximas semanas nas indústrias, algo que já aconteceu com trabalhadores que estavam em regime de experiência e contratados para serviço temporário. "Se continuar, a tendência é haver mais dispensas", finaliza. 

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