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Cidades

Sem aulas presenciais nas escolas, motoristas perdem renda

De acordo com a Prefeitura, a cidade conta com 170 condutores particulares. Contratos foram suspensos

06 maio 2020 - 23h00 Por Daniel Marques - de Suzano
Motoristas do transporte escolar de Suzano perderam a renda por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). 
De acordo com a Prefeitura, a cidade conta com 170 condutores particulares.
 
Isso ocorre porque as aulas na cidade, bem como em todo o Estado, foram suspensas. 
 
Sem alunos circulando, as vans particulares não têm para onde ir. Em um dia de aula normal, cada veículo precisa ter um monitor, aumentando para 340 o número de prejudicados.
 
Entre as queixas, as que mais incomodam os condutores são a falta de apoio financeiro e a cobrança de taxas. Sem aulas e com a situação econômica apertada, os pais dos alunos estão cancelando os contratos e retirando os estudantes do cadastro.
 
A redução no faturamento chega a 60% em alguns casos, como o de Leandro Leal dos Santos, 42. O motorista diz que está tentando se cadastrar em empresas de entregas e de aplicativos, como Uber, para conseguir uma renda. Caso falhe, terá que abrir mão do veículo que usa para trabalhar. 
 
“Paramos em março e boa parte dos ‘tios’ tentou se cadastrar no Auxílio Emergencial, mas não vi nenhum conseguir o apoio. Mas os bancos seguem nos cobrando as parcelas. Se eu não conseguir uma renda, em último caso, terei que vender a van”, conta Santos.
 
Para Marcos Antônio Inácio, 51, a situação é “horrível”. Ele diz que tentou contato com a Prefeitura de Suzano, mas foi orientado a enviar um ofício. O motorista teme não receber uma resposta.
 
“A categoria está chorando. Não temos a atenção de ninguém. Os pais não podem pagar as mensalidades e estão tirando as crianças do contrato. A situação é horrível, estamos desesperados. Estamos sendo cobrados pelas taxas de ISS do ano e pela vistoria semestral. Enquanto isso, não ganhamos cesta básica nem auxílio algum”.
 
“Estamos de mãos atadas. Não temos nenhum benefício e nem para onde correr. Temos prestações das vans para pagar e não temos de onde tirar. Muitas mães que pagavam as vans, foram dispensadas do serviço. E vamos fazer o que? Ninguém está vendo nosso lado”, lamenta João Nunes da Cruz.
 
Em nota, a Prefeitura de Suzano informou que os motoristas que fazem parte do quadro de funcionários públicos da cidade estão de licença-prêmio.
 
A Secretaria de Educação do Estado disse que os contratos com a empresa responsável pelas vans na cidade, que operam para a pasta estadual, foram suspensos. Afirmou também que os pagamentos foram regularizados e que “estuda caso a caso os contratos suspensos devido às atividades paradas por conta do decreto de calamidade”. 

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