Os quatro bairros de Suzano que registraram maiores índices do novo coronavírus (Covid-19) estão ignorando a quarentena. Estabelecimentos não essenciais funcionam normalmente, e muitas pessoas circulam e conversam pelas ruas sem máscara.
Vila Amorim, Vila Urupês, Vila Figueira e Centro registraram, juntos, 61 casos e oito mortes pela doença até o último dia 4, conforme levantamento feito pelo Painel Jornalismo de Dados, com dados obtidos com a Prefeitura via Lei de Acesso à Informação.
O DS foi até essas localidades e constatou que barbearias, por exemplo, funcionam com as portas totalmente abertas, sem que haja a menor preocupação com o vírus.
Essa situação foi vista na Vila Urupês e na Vila Amorim.
Além disso, a cada dia que passa, aumenta mais o número de pessoas nas calçadas da região central de Suzano.
Houve uma redução considerável das filas em bancos, principalmente nas agências da Caixa Econômica Federal. Mas lojas de roupas, calçados e bonés estão operando com as portas fechadas ou parcialmente abertas, e, em alguns casos, formando até filas do lado de fora.
Na Vila Figueira, a reportagem flagrou pessoas conversando próximas umas das outras, algumas com máscara, e outras sem. Moradores da Rua Antônio Miguel ainda reclamaram de uma casa, que tem recebido idosos, que se reúnem aos finais de semana para beberem juntos.
Apreensivos
Muitos moradores destes bairros ficaram apreensivos ao saberem que moram em locais com alto número de casos de coronavírus.
A dona de casa Rosimar Santos Costa, 39, diz ter medo de contrair a doença, principalmente pelo fato de morar com a mãe e o filho pequeno. Por isso, está se protegendo do vírus.
“Só saio se for necessário, mesmo. Tenho muito medo de pegar o vírus, porque tenho criança e minha mãe é do grupo de risco. É assustador ver esse tanto de gente aqui próximo, mas tem gente que não está nem aí”, disse. “Tem um bar em frente minha casa. O povo senta e toma cerveja com a máscara no queixo”, emendou.
O aposentado Raimundo da Silva Nascimento, 73, afirma que está evitando sair de casa. Ele ficou surpreso ao descobrir que a Vila Figueira está na lista dos bairros com maior número de casos e mortes por Covid-19. “Não sabia que tinha tudo isso. Tenho que me cuidar. Estou usando máscara e só saio quando preciso ir ao mercado ou farmácia”.
“Estou ficando a semana inteira em casa. Às vezes, saio porque meu filho fica com o pai e preciso ir lá para ganhar dinheiro. O restante do tempo, fico dentro de casa”, conta a costureira Laís Alves, 32.