Mesmo durante a quarentena, a média de boletins registrados na Delegacia de Direito da Mulher (DDM) de Suzano se mantém em 80 por mês. A informação foi passada pela delegada Silmara Marcelino.
Em conversa com a reportagem, Silmara destaca que o número não é baixo, porém, não houve registros de aumento, o que, segundo ela, tem-se registrado em cidades do Estado.
"A média mensal em Suzano varia de 80, as vezes 90 ou um pouco mais, mas o número se manteve, mesmo na quarentena. Suspeitávamos que o número pudesse aumentar, como ocorre em algumas cidades, pois agora as mulheres estão passando mais tempo com os maridos agressores", explica.
Silmara pontua que há a possibilidade de haver subnotificação, mas pede "para que nenhuma mulher se cale diante de agressões".
"As mulheres podem fazer a denúncia por meio da internet, ou ligando no 180. Pedimos para as mulheres não se calarem diante dessa situação e que, se possível, deixem avisado um familiar ou amigo próximo sobre a situação", afirma.
"Elas não estão sozinhas"
A presidente da comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Suzano e presidente do conselho municipal de direitos da mulher, Maria Margarida Mesquita, pontua que tem realizado a conscientização por meio das redes sociais, e clama "para que as mulheres não calem, elas não estão sozinhas".
"Se estão sofrendo agressões, podem ligar no 190, 153 ou 180, ou então fazer o boletim digital, que tem o mesmo efeito de um boletim físico. É até mais seguro, pois a mulher pode fazer quando o marido sair ou se distrair", explica.
Sala Rosa
Maria relembra que as mulheres que sofrem violência física ou psicológica, tem o amparo das do município por meio da Sala Rosa.
"A Sala Rosa fica nos fundos da DDM e conta com serviços jurídicos e psicológicos para as vítimas mulheres e seus filhos. Tudo sem cobrar. Existe também a Patrulha Maria da Penha, que fortalece a fiscalização de casos de violência", explicou.
Atuação
A delegada Silmara explica que a equipe da DDM, ao receber os boletins, inicia investigação o mais breve possível. Se há testemunhas, a delegacia se encarrega de conversar com ela e pegar seu depoimento, segundo a delegada.
"Apura e investiga o caso e se precisar já encaminha no mesmo dia para Fórum. Se ocorreu agressão, já é contatado o IML para inspeção do corpo de delito e por fim, se necessário elas seguem para um abrigo", explica Silmara.