Quatro linhas intermunicipais que atendem o Alto Tietê e levavam passageiros das cidades da região para São Paulo, pararam de circular.
A medida foi adotada pela Prefeitura de São Paulo, que alegou necessidade de "reduzir a sobreposição de trajetos entre as linhas municipais e as linhas metropolitanas, que ultrapassam os limites da Capital". A portaria que determina as alterações foi publicada em 3 de março, com prazo de 60 dias para ser cumprida.
Moradores do Jardim São José ficaram revoltados com o cancelamento das linhas intermunicipais. Eles estão fazendo um abaixo-assinado para pedir o retorno dos ônibus. O documento foi criado no último domingo (7) e será levado para outros seis bairros prejudicados com as mudanças.
A grande queixa se dá por conta da necessidade de usar as linhas canceladas. Estudantes de uma universidade que fica em São Miguel Paulista costumavam pegar uma condução, que saía do Terminal Jardim São José e ia direto para a faculdade. Com a mudança, os alunos terão que pegar dois ônibus e um trem.
A ideia de criar o abaixo-assinado foi da professora Marcelle Marques, 42. Ela diz que desde o dia 26 de maio, ônibus que saíam do bairro sumiram. A ideia com o documento é tentar convencer as autoridades de que há necessidade de se manter as linhas.
"As pessoas deixaram de pegar uma condução e estão dependendo de três ou quatro. Precisam pegar Circular, trem e fazer transferência de linha. O pessoal que estuda na Cruzeiro (universidade em São Miguel) não volta para casa. Comecei um abaixo assinado e o registro que temos é de prejuízo para 10 mil passageiros por dia. Fora para quem trabalha, porque o patrão não vai pagar quatro conduções", conta.
Os jardins Madre Ângela, Obelisco, Nova Poá, Débora, Emília e Calmon Viana vão receber um documento para reunir assinaturas. Depois, o abaixo-assinado será encaminhado para a Secretaria de transportes de São Paulo.
A auxiliar Solange Ferreira, 46, diz que a situação é "péssima" e destaca o prejuízo para quem precisa trabalhar. "Nem todo mundo tem dinheiro pra pagar aplicativo para ir até a estação de trem. As pessoas precisam do ônibus. A situação já não é boa, ainda prejudicam a população deste jeito? Todos nós precisamos dos ônibus", lamenta.
"Não tem fiscal e nem duas linhas muito necessárias. Muita gente que trabalha e estuda em São Miguel está sendo prejudicada", afirma o comerciante Gerson Cardoso Júnior, 25.
A cuidadora de idosos Rosemar Mariana Dias da Costa, 44, ficou revoltada com a situação. Ela diz que os moradores tiveram que "brigar muito" para conseguir essas linhas.
De modo geral, as linhas intermunicipais foram retiradas porque a Prefeitura de São Paulo considerou que elas faziam o mesmo trajeto de linhas da Capital, causando uma "sobreposição" no sistema. Com a mudança, muitos passageiros serão forçados a usar as linhas da SPTrans, trens e metrôs, caso queiram ir ao mesmo destino.
Na última sexta-feira (5), o DS trouxe matéria informando o cancelamento de duas linhas do Consórcio Unileste: 377TRO / Poá (Jardim Nova Poá) - São Paulo (Parque Artur Alvim); e 460TRO / Ferraz de Vasconcelos (Vila São Paulo) - São Paulo (Parque Artur Alvim).
No entanto, a assessoria da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) informou, por telefone, que a 377TRO segue circulando com uma alteração: agora ela terá uma passagem pela estação de trem de Antônio Gianetti Neto. O DS esteve na última segunda-feira no Terminal de ônibus do Jardim São José, local por onde passa o 377, e constatou que a linha estava circulando.
Cinco linhas do Alto Tietê foram analisadas com a portaria: a 026TRO / Poá (Terminal Rodoviário Jardim São José) - São Paulo (São Miguel Paulista); a 205TRO / Poá (Terminal Rodoviário Pedro Fava - Cidade Kemel) - São Paulo (Parque Dom Pedro II); a 328TRO / Poá (Terminal Rodoviário Jardim São José) - São Paulo (São Mateus).