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Cidades

No Hospital Santa Maria, uma história de esperança na vitória contra a Covid

Especialista em treinamento de vendas conta que teve febre alta, mas venceu a doença

31 julho 2020 - 23h15 Por de Suzano
Após 94 dias internado no Hospital Santa Maria de Suzano, Ricardo Lúcio Zuim teve motivos de sobra para comemorar, no início da semana, 50 anos de vida: venceu a Covid-19 e se transformou em exemplo de determinação e esperança para quem está acometido gravemente pela doença, seus familiares e profissionais da área de saúde.
 
O especialista em treinamento de vendas conta que teve febre alta uma semana antes de ser levado ao hospital, no dia 10 de abril. Passado este primeiro sintoma e ainda sem cuidados médicos, retornou às atividades do cotidiano, mas uma severa falta de ar deu o sinal de que era preciso uma investigação mais profunda sobre o caso.
 
Um dia depois da internação no quarto em ala específica para o enfrentamento ao novo coronavírus, o baixo índice de saturação de oxigênio e o agravamento de problemas pulmonares levaram os médicos ao difícil comunicado: a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Respiratória se faria indispensável.
 
"Foi um momento muito delicado. Sabia que seria sedado. Nunca perdi a vontade de viver. Sempre acreditei que iria sair daquela situação. Pensei muito na minha família", recorda-se Ricardo, sem imaginar exatamente os dias difíceis que ainda enfrentaria.
 
Mesmo com acompanhamento permanente de médicos e profissionais de equipes multidisciplinares do Hospital Santa Maria de Suzano, a doença evoluiu e comprometeu os rins do paciente, o que exigiu hemodiálise. 
 
Para piorar o quadro, o pulmão apresentava dificuldade de recuperação - uma união de fatos que levou a prognósticos absolutamente desanimadores e devidamente comunicados, mediante respaldo psicológico, aos familiares.
 
Ricardo ficou 56 dias em estado de coma e protagonizou alguns dos instantes mais emocionantes dos profissionais da instituição de saúde. Diariamente, eram-lhe apresentados áudios de orações e mensagens de estímulo gravados pela esposa Rosana, na mesma vibração positiva do casal de filhos (Mayara e Kauê).
 
Ele se recorda dos conteúdos? Garante que a voz da companheira era transportada em sonhos dos quais se lembra em detalhes: transformar-se-ia a mulher em uma enfermeira dedicada e permeada de otimismo diante de circunstâncias absolutamente adversas.
 
E vai além: "Fui visitar muitos amigos em várias regiões do Brasil. Eu me via dirigindo carro adaptado e em cadeira de rodas. A voz dela era sempre presente, uma companhia fundamental. Eu me recordo perfeitamente de todos os sonhos'', assegura Ricardo, que hoje retorna, aos poucos, à vida normal (livre, inclusive, de uma incômoda, porém necessária traqueostomia).
 
A fé refletida em evoluções ininterruptas de seu quadro clínico após sair do coma, aliada à estrutura de atendimento do hospital, era a constatação de que o desfecho seria positivo, conforme revela Ricardo, dono de bom-humor capaz de contagiar a todos da equipe da UTI. Um de seus primeiros pedidos, além do recorrente corte da barba, foi degustar um saboroso e tradicional lanche em Suzano, onde reside com a família. Sob emocionantes aplausos, Ricardo deixou o Hospital Santa Maria dia 13 de julho. Agora, em franco processo de total recuperação física e acolhido pelos familiares, completou meio século com a autoridade de quem pode dizer: "Jamais deixem de acreditar em si, na família e de ter fé em Deus". 

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