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Cidades

Bispo da região publica carta contra aborto autorizado de menina de 10 anos

Em documento divulgado pela Comissão de Defesa da Vida da CNBB, bispo diocesano classifica atos como tragédias

17 agosto 2020 - 22h10 Por Carolina Rocha - de Suzano
O bispo diocesano de Mogi das Cruzes e presidente da Comissão de Defesa da Vida pertencente a Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Luiz Stringhini, publicou na manhã de ontem (17), uma carta contra o aborto legal de uma menina de dez anos estuprada pelo tio no Espírito Santo.
 
No documento, o bispo diocesano classificou como “tragédia”, tanto o aborto realizado pela menina, quanto a série de estupros sofridos por ela.
 
Num trecho da carta, o bispo reitera que a Comissão repudia “a tortura física e psicológica vivida por esta criança de dez anos e o aborto de uma vida inocente”. 
 
Para a Comissão, além do trauma sofrido durante os abusos, o trauma da realização do aborto também foi acrescentado ao psicológico da criança. A carta prossegue e o bispo questiona se “uma tragédia é capaz de solucionar outra tragédia?” 
 
Ainda no documento, a Comissão expressou indignação com a sucessão dos fatos que culminaram nos estupros sofridos durante quatro anos pela criança, e na interrupção da gravidez.
 
O bispo Stringhini reforça, por meio da frase dita pelo Papa Francisco, que o estupro “é a mão do mal que não poupa nem mesmo a inocência das crianças” e que a menina de 10 anos foi duplamente desrespeitada, pois sofreu “a violência do estupro e a crueldade do aborto”.
 
Entenda o caso
 
O caso veio a público no último dia 8. 
 
De acordo com informações, a gravidez foi descoberta após a criança se queixar de dores abdominais. Levada até um hospital, e após a realização de exames de sangue, a gravidez de 22 semanas foi constatada.
 
A criança, moradora do Norte do Espírito Santo, contou à polícia que vinha sendo vítima do crime desde os 6 anos de idade, e que não denunciou por medo das ameaças realizadas pelo tio.
 
No último domingo (16), após médicos de um hospital de Vitória se recusarem a realizar o aborto, a menina foi encaminhada para uma hospital de referência no Estado do Pernambuco.
 
A permissão para a interromper a gravidez foi concedida por um juiz da Vara da Infância e Juventude e a criança foi submetida ao procedimento legal, concretizado na manhã de ontem (17).
 
Segundo informações, a criança passa bem, não corre risco de morte e deve receber alta do hospital já nos próximos dias.

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