O bispo diocesano de Mogi das Cruzes e presidente da Comissão de Defesa da Vida pertencente a Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Luiz Stringhini, publicou na manhã de ontem (17), uma carta contra o aborto legal de uma menina de dez anos estuprada pelo tio no Espírito Santo.
No documento, o bispo diocesano classificou como “tragédia”, tanto o aborto realizado pela menina, quanto a série de estupros sofridos por ela.
Num trecho da carta, o bispo reitera que a Comissão repudia “a tortura física e psicológica vivida por esta criança de dez anos e o aborto de uma vida inocente”.
Para a Comissão, além do trauma sofrido durante os abusos, o trauma da realização do aborto também foi acrescentado ao psicológico da criança. A carta prossegue e o bispo questiona se “uma tragédia é capaz de solucionar outra tragédia?”
Ainda no documento, a Comissão expressou indignação com a sucessão dos fatos que culminaram nos estupros sofridos durante quatro anos pela criança, e na interrupção da gravidez.
O bispo Stringhini reforça, por meio da frase dita pelo Papa Francisco, que o estupro “é a mão do mal que não poupa nem mesmo a inocência das crianças” e que a menina de 10 anos foi duplamente desrespeitada, pois sofreu “a violência do estupro e a crueldade do aborto”.
Entenda o caso
O caso veio a público no último dia 8.
De acordo com informações, a gravidez foi descoberta após a criança se queixar de dores abdominais. Levada até um hospital, e após a realização de exames de sangue, a gravidez de 22 semanas foi constatada.
A criança, moradora do Norte do Espírito Santo, contou à polícia que vinha sendo vítima do crime desde os 6 anos de idade, e que não denunciou por medo das ameaças realizadas pelo tio.
No último domingo (16), após médicos de um hospital de Vitória se recusarem a realizar o aborto, a menina foi encaminhada para uma hospital de referência no Estado do Pernambuco.
A permissão para a interromper a gravidez foi concedida por um juiz da Vara da Infância e Juventude e a criança foi submetida ao procedimento legal, concretizado na manhã de ontem (17).
Segundo informações, a criança passa bem, não corre risco de morte e deve receber alta do hospital já nos próximos dias.