Pelo menos 47,6% das passageiras da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) já sofreram ou conhecem mulheres que já sofreram algum tipo de importunação sexual no transporte público em geral.
69,3% destes crimes aconteceram dentro de trens, 14,7% no Metrô e 11,7% em ônibus. O grande problema, neste caso, é que apenas 15,6% denunciaram o fato.
Os números fazem parte da Pesquisa Voz Feminina CPTM, que durante todo o mês de março deste ano ouviu 1,2 mil passageiras que embarcavam nos trens da companhia. Mulheres que utilizam os trens das linhas 11 e 12 da CPTM nas cidades da região sofrem com o mesmo problema de assédio. O levantamento, que também foi realizado em 2018 e 2019, mostrou resultados nada animadores. As respostas – obtidas apenas por entrevistadoras mulheres.
Mais de 70% das mulheres conhecem as campanhas de combate a importunação sexual e as formas de denúncia, mas, ao longo dos anos, essa lembrança vem diminuindo, demonstrando a importância da divulgação constante, especialmente no próprio sistema.
“Sabemos que estes resultados são ruins e por isso estamos trabalhando para que o assédio sexual nos trens e estações diminua ou até desapareça. Para isso, estamos criando espaços de acolhimento para as vítimas e campanhas de incentivo a denúncia e para que as pessoas que estiverem por perto testemunhem, demonstrando para o agressor que a CPTM será totalmente hostil a quem praticar estes atos covardes dentro do sistema”, afirma Pedro Moro, presidente da companhia.
Além de todas as ações de combate à importunação e ao assédio sexual nos trens e estações, vale lembrar que a CPTM possui uma central de monitoramento da segurança, que funciona 24h por dia, 7 dias por semana, com 14 pessoas trabalhando por turno, que controlam mais de 2500 câmeras em estações, e até dezembro serão mais de 4000 câmeras. Nos trens são mais de 6000 câmeras de olho em todo o movimento durante a circulação. Todos os casos denunciados são registrados pela CPTM, que também é a responsável pelo encaminhamento do agressor para a autoridade policial.