A Organização Não Governamental (ONG) Refúgio Brasil, sediada em Mogi das Cruzes, registrou 20 casos de refugiados infectados pelo novo coronavírus. Desses, três morreram em decorrência da doença na região. De acordo com a imigrante palestina e presidente da ONG Faysa Daoud, as vítimas são uma refugiada da Síria e dois refugiados da Palestina.
Ainda segundo a presidente, são cerca de 580 refugiados somente no Alto Tietê, sendo que 120 vivem em Suzano. Entre as principais nacionalidades estão os sírios, em sua grande maioria refugiados da guerra, palestinos, venezuelanos e pessoas vindas do continente africano, assim como haitianos, egípcios, paquistaneses e marroquinos.
Faysa explica que a organização tem acompanhado e prestado apoio aos refugiados, que além de lidar com a doença, precisam enfrentar outras dificuldades para conseguir se manter em um país totalmente novo.
Logo após a contaminação pela doença, o mercado de trabalho é o segundo maior problema apontado. Segundo a Refúgio Brasil, cerca de 70% dos refugiados que estavam empregados antes de março tiveram seus contratos rescindidos durante os meses de pandemia. A presidente diz que a ONG tem tentado fechar parcerias com instituições para a recontratação dessa mão de obra.
“Estamos acompanhando a necessidade de cada refugiado. Ajudamos com consultas médicas, tanto presencias quanto online, abastecimento e alimentação e auxiliamos na negociação de moradias, para conseguir preços justos de aluguel. Também estamos tentando fechar parcerias com empresa para que os refugiados consigam ser recontratados”, diz.
Fator emocional
Assim como a preocupação com a saúde do corpo, Faysa Daoud aponta que a saúde mental dos refugiados também ficou abalada neste período. Segundo a presidente, o trauma de viver a pandemias em um país completamente novo é outro desafio que muitos tem enfrentado.
“É mais um trauma. Eles já saíram de seus países, de seu conforto e sem informação, apenas com uma mala e um sonho de recomeçar. Muitos estavam empregados e felizes, conformados com a nova realidade e acabaram sendo atingidos duramente pela pandemia. É como perder tudo pela segunda vez”, lamenta.