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Cidades

Com greve dos Correios, região tem 500 mil cartas paradas

Cerca de 350 funcionários do Alto Tietê aderiram à paralisação, que já dura 25 dias. Informação é do sindicato

11 setembro 2020 - 22h40 Por Daniel Marques - de Suzano
Mais de 500 mil cartas simples estão paradas por conta da greve de cerca de 350 trabalhadores dos Correios no Alto Tietê. Essa é a estimativa da diretoria de base do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Correios e Telégrafos (Sintect) na região.
 
Além disso, o sindicato acredita que entre 100 e 150 mil cartas registradas e encomendas estejam “estacionadas”.
 
Há cerca de 25 dias, mais da metade dos trabalhadores da região optaram por cruzar os braços, por conta de direitos que teriam sido retirados pela estatal.
 
Os Correios dizem que têm altas despesas e que "discutem benefícios que foram concedidos em outros momentos e que não condizem com a realidade atual de mercado", garantindo que "assegura todos os direitos dos empregados previstos na legislação".
 
Em Suzano, a greve é “forte”. Segundo o diretor de base, Milton de Jesus Miguel, a agência que fica na Praça dos Expedicionários - que “nunca fechou” – encontra-se sem funcionários há três semanas. No Centro de Distribuição, os números também impressionam: 80 dos mais de 100 funcionários pararam.
 
“A população está apoiando a gente, porque ela está sendo prejudicada. Encomendas não chegam”, destaca o diretor. Os funcionários tentam um acordo com os Correios. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) convocou outra reunião de conciliação (a segunda), para apresentar nova proposta à estatal. Na primeira, os Correios recusaram. A expectativa do diretor é de que os Correios aceitem desta vez: “Não sabemos qual proposta vai ser apresentada pelo TST. A primeira foi de que os Correios aceitassem voltar com todo o acordo coletivo, algo que com certeza os trabalhadores aceitariam. Agora, pode ser que eles apresentem a mesma proposta”, disse o diretor. 
 
Sem trabalhar, os funcionários dos Correios têm se manifestado de outras formas. Uma carreata foi feita na última quarta-feira (9), partindo da unidade dos Correios em Itaquá (Estrada de Santa Isabel, 3385, Jardim Nova Itaquá), e seguindo até a de Braz Cubas (Rua Francisco Affonso de Melo, 110, Braz Cubas).
 
Na carreata, os funcionários também arrecadaram cerca de 100 quilos de alimentos, que serão doados para instituições de caridade.
 
Entenda
 
Os funcionários reclamam de cortes de benefícios, como tickets de alimentação e refeição, adicional de risco e ajuda de custo para profissionais que têm filhos com deficiência.
 
Além disso, houve redução no tempo de dissídio coletivo, que antes era válido por dois anos e agora caiu para um. Uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos Correios permitiu que a alteração fosse feita. Assim, o acordo, que antes iria até 2021, venceu no último dia 31. 
 
Segundo o diretor de base, os Correios começaram a tirar cláusulas do acordo coletivo por conta própria, o que irritou os trabalhadores. Assim, eles resolveram entrar em greve para reivindicar uma negociação com a estatal.

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