Psicólogos que trabalham no atendimento às vítimas diretas e indiretas do ataque na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, denunciam que profissionais estão sendo desligados do convênio antes do prazo prometido pelo Estado, que é até dezembro.
Segundo profissionais do Coletivo Psicólogos Raul Brasil, no último dia 23, quatro psicólogos foram demitidos. Outros quatro administrativos já haviam sido desligados em agosto, ainda de acordo com o grupo.
“As demissões são feitas por e-mail ou telefone, solicitando que o profissional compareça ao RH”, afirmou um dos profissionais que atuam nos atendimentos, que pediu para não se identificar.
O convênio foi realizado entre o governo do Estado e a Prefeitura de Suzano para atender aqueles que foram prejudicados psicologicamente com o massacre.
Dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde apontam que cerca de 2,7 mil pessoas ficarão sem assistência, caso o convênio seja encerrado.
Membros do grupo disseram à reportagem que há fila de espera para novos atendimentos serem iniciados.
Segundo o grupo, hoje, são 25 profissionais atuando nos atendimentos. Em 18 de agosto, o DS deu matéria sobre a criação de um abaixo-assinado. Na época, a reportagem apurou que 35 profissionais trabalhavam nos atendimentos, ou seja, dez a mais do que o número atual.
A petição criada pelos profissionais conta com cerca de 40 mil assinaturas. A meta é 50 mil.
Até dezembro
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado disse que está mantida a assistência psicológica às vítimas diretas e indiretas do ataque, ocorrido em março do ano passado.
Apesar das denúncias, a pasta reafirmou o compromisso até dezembro e disse que foram realizados, até o momento, mais de 27 mil atendimentos desde a tragédia.
A Secretaria também deixou claro que o convênio tem caráter temporário e, se achar que houve queda de demanda, poderá desligar profissionais.
Já a Prefeitura de Suzano disse que a responsabilidade pelos desligamentos é do Estado. Porém, com as demissões, a administração busca soluções para absorver a demanda.
Só que a contratação de novos profissionais deve ser prejudicada pelas eleições deste ano e por fatores tributários, uma vez que a Prefeitura não pode, até que seja concluído todo o calendário eleitoral, realizar novas admissões de psicólogos.
A administração está realizando estudos para a viabilidade econômica das contratações, considerando a Lei de Responsabilidade Fiscal.