Quase um terço (33%) dos cargos previstos em lei para policiais civis no Alto Tietê está vago. São 522 vagas sem um policial nas duas delegacias Seccionais que atendem as dez cidades da região. As informações são do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) e foram atualizadas em agosto.
Dos 814 cargos previstos em lei na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, 271 estão desocupadas. Na de Guarulhos, das 755 vagas, 251 estão em aberto.
Entram na lista do déficit de profissionais delegados, escrivães, investigadores, agentes policiais e agentes de telecomunicações. Apenas vagas de papiloscopista e auxiliar de papiloscopista não têm déficit, inclusive superando a quantidade de vagas.
Na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, que atende oito cidades da região, as 51 vagas para delegado estão preenchidas, mas faltam 107 escrivães, 63 investigadores, 98 agentes policiais e 11 agentes de telecomunicações para completar o quadro.
No entanto, a delegacia tem cinco papiloscopistas para apenas quatro vagas; e 20 auxiliares de papiloscopista para 13 vagas.
Já na Seccional de Guarulhos, que atende as outras duas restantes (Arujá e Santa Isabel), faltam cinco delegados, 96 escrivães, 68 investigadores, 85 agentes policiais e nove agentes de telecomunicações.
A unidade tem, ainda, sete papiloscopistas e 23 auxiliares de papiloscopista. Supera, respectivamente, as seis e 12 vagas disponíveis em lei.
A presidente do sindicato, Raquel Kobashi Gallinati, diz que as duas seccionais que atendem as dez cidades do Alto Tietê estão na média do Estado, que é de 66% dos cargos ocupados. No entanto, ela destaca que há uma sobrecarga nos policiais.
“Eles chegam a realizar a função que deveria ser feita por quatro pessoas. Esse déficit compromete muito a qualidade do serviço de investigação e a segurança pública dos moradores da região”, diz.
A presidente também classificou a situação como um “descaso” e enalteceu os policiais civis que se dedicam diariamente para oferecer uma “segurança pública de qualidade”. Também explicou que o Estado precisa abrir concursos para selecionar mais profissionais para colocar fim ao déficit.
“Para reverter esse quadro, é preciso uma mudança na política de Segurança Pública do Estado, com a nomeação de concursados para preencher postos vagos e valorização da polícia, com salários dignos e condições adequadas de trabalho”, destacou.