Quase nove meses após o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), vendedores ambulantes e os de beira de estrada seguem enfrentado dificuldades na comercialização de suas mercadorias.
Os trabalhadores passaram por várias fases ao longo deste tempo, desde a paralisação “quase total” dos serviços, passando pela alta procura por conta do comércio fechado, até a redução do fluxo com a reabertura das lojas. Lidando com motoristas que, na maioria das vezes estão sem máscaras em seus carros, os vendedores ainda temem contrair o vírus sem terem muito para onde correr.
Para piorar mais a situação, muitos ambulantes trabalham com medo da fiscalização que, segundo eles, “toma” as mercadorias quando chega.
O vendedor de capas de volante, Cristiano Jesus, 40, está cansado de viver com esse conjunto de fatores que impõem dificuldades aos ambulantes neste período pandêmico.
“Nos protegemos, usamos máscaras e álcool em gel, mas temos medo porque a maioria das pessoas não usa máscaras nos carros. Aí vem a fiscalização e toma nossa mercadoria. Tudo fica mais difícil. Tenho medo”, revelou.
A pandemia também atrapalha o vendedor de acessórios para carros, Dinei Dias, 43. Ele diz que a fiscalização foi reduzida nos últimos dias, mas acredita que a situação vai mudar no ano que vem. Enquanto isso, Dias é outro que segue sofrendo com a pandemia.
“Está muito devagar (o movimento), por conta do vírus. Perdemos bastante nesse período, mas a fiscalização também ajudou. Eles ‘embaçam’ muito. Agora, está até mais tranquilo, mas acho que no ano que vem, vai ser pior”, disse, justificando que o período eleitoral provocou uma “redução” na fiscalização.
A vendedora de queijos Aline Barbosa, 30, diz que as vendas melhoraram muito quando o comércio, em geral, fechou. Na reabertura, no entanto, houve queda nas vendas em seu carro e, a partir deste momento, a situação só piorou.
“As minhas vendas caíram de vez agora. Está muito fraco. Sempre tomamos cuidados aqui, uso máscara, álcool em gel e spray para esterilizar. Tento aumentar as vendas com promoções, porque o povo gasta dinheiro no mercado e não sobra”, disse.