A população de Suzano vive a expectativa de liberação da vacina contra o coronavírus (Covid-19). O DS foi às ruas da cidade na manhã de ontem e entrevistou dez pessoas. A maioria dos entrevistados é favorável à vacina. Contudo, alguns questionam sobre a obrigatoriedade de tomar o medicamento, a rapidez na produção e a postura do presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido) e do governador de São Paulo João Dória (PSDB). As primeiras doses começarão a serem distribuídas no dia 25 de janeiro.
É o caso de José Ferreira Brandão Filho. Ele foi infectado e precisou ficar 22 dias dentro de casa. Mesmo curado, ainda sente os efeitos da doença. Com 63 anos de idade, ele também tem problemas com diabetes, pressão alta e colesterol. Ele concorda com a liberação da vacina. “Tomaria com certeza. Feliz é quem escapa. Não desejo o que eu passei para ninguém. Até hoje não sinto gosto e cheiro de nada. Tomaria tranquilamente”, disse. Brandão aproveitou e criticou a forma de condução dos governantes. “Querem aparecer. É uma briga desnecessária e quem paga por isso somos nós mesmos”, opinou.
Muitas pessoas questionam a rapidez em que a vacina foi produzida, fazendo muitos duvidarem da eficácia. O segurança Diego Oliveira não duvida, porém quer ter certeza do funcionamento dela. “Não acredito em tudo que dizem. Mas é preciso ter certeza se funciona antes de distribuir a vacina”, disse. É o mesmo pensamento de Novokato Nozava, de 84 anos. “Boatos ruins sempre existiram, mas mal acredito que não faz. Eu tomaria se ela fosse liberada hoje”. Contudo, Filipe Leite acredita que algumas pessoas podem apresentar problemas. “Depende. Para algumas pessoas pode fazer mal e para outras não. É uma vacina nova e foi criada muito rápida”.
A consultora de vendas, Kátia Regina da Silva, foi firme e disse que não tomará a vacina por conta da rapidez de sua produção. “De forma alguma. Foi feito com muita pressa. Gera uma desconfiança muito grande”, opina. “O fabricante não assume a responsabilidade caso haja reação. Não posso tomar algo que não tem garantia”, completou. A recepcionista Bruna Nascimento não vê da mesma forma. Ela conta que seu marido chegou a contrair a doença. “Se existem estudos comprovando que funciona, nós podemos acreditar. Meu marido foi infectado, mas foi assintomático”.
Fábio de Souza tem 37 anos e é comerciante. Ele tem consciência do problema e torce pela liberação do medicamento. “É uma praga que veio para quebrar a gente. Essa vacina precisa sair logo, pra que a gente possa andar para frente. O custo gira em torno desse movimento aqui”, afirmou. Fábio guarda até hoje sua carteira de vacinação e revela ansiedade pela liberação. “Estou doido para tomar. Quantas doenças foram sanadas com as vacinas? Tenho minha carteirinha até hoje. Nunca me fez mal”.
Outro questionamento é sobre a obrigatoriedade da vacina. Bruno de Souza discorda. “Tomaria, mas não deveria ser obrigatório. Deveria ser passado os riscos de tomar ou não a vacina. Se 90% da população tomar e outros 10% não, ainda vai continuar trazendo risco”, disse Bruno. Ele trabalha em uma rede de fast-food com Wesley Ferreira da Silva, que é a favor das pessoas optarem por não tomar
“Quem não se sentir seguro, não tome. Eu acredito que não faça mal e tomaria. Espero que liberem logo”. Carolina da Silva trabalha na mesma empresa e segue a mesma linha de raciocínio dos amigos. Ela lembrou de ter tomado vacina contra a gripe no início de 2020. “Também acho que não deveria ser obrigatório. Tomei a vacina contra a gripe e achei interessante. Tomaria sem problemas”, finalizou.