O ano de 2020 foi marcado pela grande crise sanitária provocada pelo novo coronavírus (Covid-19) que assolou Suzano, o Alto Tietê, o Brasil e o mundo. (Veja tabela completa no final)
Foram aproximadamente 200 mil mortes provocadas pela doença no Brasil até agora - quase duas mil delas no Alto Tietê.
O primeiro "susto" provocado pelo novo coronavírus no Alto Tietê ocorreu no dia 30 de janeiro, quase dois meses antes de iniciar a pandemia no Brasil. Uma jovem, de 22 anos, moradora do Centro de Mogi, chegou de Wuhan, na China, que na época era o epicentro da doença.
Ali, naquele momento, o Alto Tietê já entrava em alerta. A Radial Transporte – empresa que administra os ônibus municipais em Suzano, Ferraz e Poá – iniciou um processo de higienização de sua frota. Além disso, as Santas Casas da região e o Hospital Santa Maria adotaram normas de prevenção, sendo que o hospital privado em Suzano, inclusive, chegou a criar salas de isolamento, praticamente prevendo o que estava por vir.
O caso suspeito de Mogi e as chuvas que castigaram a região causaram apreensão na população durante a primeira metade de fevereiro. Algumas empresas iniciavam um protocolo de prevenção ao vírus. Ao mesmo tempo, cerca de 100 famílias ficavam desabrigadas em Itaquaquecetuba, e muitas outras da Cidade Miguel Badra, em Suzano, viviam preocupadas com o transbordamento do Rio Tietê por conta das chuvas.
Mesmo assim, o Carnaval aconteceu. O evento ocorreu pelos quatro cantos do País, inclusive em cidades da região, como Mogi, por exemplo, que teve até desfile na Avenida Cívica.
As festas, aglomerações e bebedeira geraram uma enxurrada de críticas na internet no dia da confirmação do primeiro caso no Brasil, em 26 de fevereiro – plena Quarta-Feira de Cinzas, dia seguinte ao Carnaval. Na ocasião, a notícia de que um idoso de 61 anos havia chegado da Itália – que vivia crescimento em casos e mortes - e desembarcado em São Paulo com a doença ligou o sinal de alerta vermelho em autoridades e na população.
Não demorou muito para o estoque de máscaras de proteção acabar nas farmácias de Suzano. A realização do Carnaval e a confirmação do primeiro caso em São Paulo caíram como uma bomba na região, fazendo com que a população rapidamente buscasse proteção.
Março foi o mês em que o Alto Tietê viveu seus momentos mais “desertos” por conta do vírus. A escola Raul Brasil – concluída, porém nunca ocupada pelos alunos em sua nova estrutura – ficou em segundo plano diante de uma pandemia já estabelecida.
A primeira confirmação veio em 12 de março. Uma paciente de Ferraz, atendida em Suzano, tornava o coronavírus uma realidade no Alto Tietê.
Dois dias depois, a programação de aniversário de Suzano foi cancelada. Após cinco, as aulas e os campeonatos de futebol foram interrompidos. Em seis dias, ocorreu a primeira morte no Brasil e, em oito, o primeiro caso confirmado em Suzano.
O Estado não viu outra alternativa senão fechar tudo. Os dias 22 e 23 de março foram marcados por pânico. As ruas ficaram vazias, as lojas fechadas e as pessoas se trancaram em casa. Um cenário emblemático que marcou o início desta pandemia.
Sem terem escolha, comerciantes começaram a demitir funcionários. Durante, pelo menos uma semana, as ruas ficaram desertas e as poucas pessoas que circulavam, o faziam de máscara no rosto. Houve desabastecimento de gás e mercados foram proibidos de abrir aos domingos em Suzano. Ainda no fim de março, ocorreu a primeira morte de um suzanense em decorrência da Covid-19.
Hospitais de campanha, mortes e auxílio emergencial
O mês de abril foi marcado pelo aumento no número de mortes e o anúncio de criação de hospitais de campanha na região. Eles serviram para dar apoio no tratamento do novo coronavírus. Houve prorrogação da quarentena, determinada pelo governo do Estado e iniciada oficialmente no dia 23 de março.
A quantidade de corpos de pessoas que morreram por doenças respiratórias aumentou nas funerárias, e enterros começaram a ser feitos em caixões lacrados na região. A população também procurou a Hidroxicloroquina, um remédio usado na prevenção e tratamento de malária e altamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no tratamento da Covid-19.
Os problemas do aplicativo Caixa Tem para os pagamentos do auxílio emergencial levaram muitas pessoas para as agências bancárias, provocando aglomerações. Do lado de fora dos bancos, por diversas vezes, o DS flagrou pessoas próximas umas das outras e, muitas delas, sem máscaras no rosto.
No fim do mês, o Hospital de Quarentena de Suzano começou a funcionar. Inicialmente, com 30% a 50% da capacidade total. Durante todos os meses em que ficou aberta, a unidade nunca esteve próxima de exceder sua capacidade.
Final do ano define prefeitos e vereadores
O governo do Estado criou, no início de junho, o Plano São Paulo de flexibilização. Inicialmente, a região integrou a fase vermelha (a mais restritiva), passando para a laranja (a segunda mais restritiva) posteriormente.
Shoppings e comércios do Alto Tietê foram reabertos com restrições no dia 12 de junho, em pleno Dia dos Namorados. Foram registradas filas e muitas pessoas foram ao Centro de Suzano para gastar.
Na fase laranja, a região permaneceu até o dia 11 de julho, quando foi autorizada a avançar para a fase amarela (terceira) e abrir ainda mais o comércio.
O mês de junho também foi marcado pela presença do Exército Brasileiro, que veio até Suzano para auxiliar na desinfecção da cidade. Militares “superprotegidos”, vestidos com roupas fechadas, realizaram a limpeza nas praças da região central e assustaram alguns munícipes por conta da vestimenta totalmente incomum.
No mesmo mês, o DS iniciou uma “contagem regressiva” para a abertura de leitos destinados ao tratamento do coronavírus no Hospital das Clínicas de Suzano. O selo que foi colocado nas capas das edições contou a quantidade de dias que faltavam para o cumprimento da promessa do governo do Estado em relação à implantação de 90 leitos na unidade hospitalar. O Estado não cumpriu nem a data de abertura (30 de junho) nem o número de leitos - foram apenas 20 entregues.
Finalmente, em 9 de julho, o Estado abriu o Hospital das Clínicas de Suzano para atendimento a pacientes com Covid-19. Dois dias depois, a região avançou para a fase amarela do Plano São Paulo. Ainda no início do mês, as datas do 1° e 2° turno das eleições foram alteradas para os dias 15 e 29 de novembro.
A partir deste momento, o assunto “eleições 2020” começou a ganhar força, com o surgimento das primeiras listas de pré-candidatos de Suzano e de Poá. Outros assuntos também ganham destaque, como o início das obras de pavimentação da Avenida Brasil e um incêndio em um depósito de borracha na Vila Urupês. O isolamento social também caiu.
Em agosto, o Alto Tietê atingiu a triste marca de mil mortes provocadas pelo novo coronavírus. A principal discussão, neste que geralmente é um mês marcado pelo retorno das férias escolares, foi “se seria correto voltar às aulas naquele momento ou não”.
Enquanto as cidades discutiam a volta às aulas, Arujá aparecia no Fantástico, da Rede Globo. A Prefeitura do município abriu uma sindicância para apurar possível desvio de recursos da saúde em envolvimento com uma facção criminosa. O vice-prefeito, Marcio José de Oliveira, chegou a ser preso no fim de julho.
Também houve greve em 2020. Foi dos funcionários dos Correios, que pararam por conta de "corte de benefícios". Assim, cerca de 500 mil cartas ficaram "estacionadas" na região.
Um incêndio no almoxarifado da Santa Casa de Suzano, um zoológico ilegal descoberto pela Polícia Ambiental em Santa Isabel e uma cratera de cerca de seis metros de profundidade localizada na Vila Urupês, em Suzano, também foram alguns fatos que marcaram o mês de agosto.
Os candidatos a prefeito das cidades da região também realizaram suas convenções neste mês. Algumas delas contaram com aglomerações.
Outro fato que chamou a atenção em setembro foi o desmatamento de uma área de cerca de 30 quilômetros quadrados na região de Palmeiras. O DS esteve no local e flagrou dezenas de saguis pulando entre os galhos que restaram no local. Um dos crimes ambientais mais marcantes deste ano na região.
O Alto Tietê avançou para a fase verde do Plano São Paulo no dia 10 de outubro. A quarta de cinco fases permitiu que comércios, serviços e locais de lazer tivessem o funcionamento flexibilizado ainda mais. O isolamento social, que já vinha caindo, despencou de vez, e as cidades passaram a registrar, diariamente, números abaixo dos 40%.
Em outubro, o governo do Estado entregou as obras da Rodovia Índio Tibiriçá (SP-31) e anunciou obras na Estrada da Quinta Divisão (SP-43) para 2021. Também foram entregues as obras da Estrada da Duchen.
O mês de novembro foi marcado pelas eleições municipais na região. As dez cidades escolheram seus representantes pelos próximos quatro anos. As eleições foram o principal assunto de novembro.
Mesmo com a pandemia, a votação ocorreu normalmente com respeito aos protocolos sanitários. Porém, do lado de fora das escolas, muitas pessoas se aglomeraram e poucas usaram máscaras de proteção.
Um dia após a realização do segundo turno das eleições, o governo do Estado retornou a região para a fase amarela do Plano São Paulo. O Alto Tietê voltou a registrar aumento na ocupação de leitos de Covid-19 e o assunto “segunda onda de Covid-19” passou a ser abordado incisivamente pela mídia.
“Vacinas” dominaram o noticiário em dezembro. As festividades ocorreram em fase vermelha.
O DS espera que, em 2021, sejam colocadas em prática as soluções para que todas as vidas do Alto Tietê possam voltar ao normal.
