O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) decretou greve a partir desta segunda-feira (8). A entidade entende que ainda não há condições necessárias para que o retorno das atividades presenciais – marcada para ocorrer nesta segunda - ocorra de forma segura nas escolas estaduais. De acordo com a diretora executiva do sindicato, Ana Lúcia Ferreira, a greve é para salvar vidas.
“Fizemos uma assembleia nesta sexta-feira (5) contra o retorno das aulas presenciais na segunda-feira. Temos certeza que as escolas estaduais não possuem recursos mínimos para garantir esse retorno precipitado. Nossa manifestação é para salvar vidas”, disse.
Nas escolas estaduais, o retorno das atividades presenciais estava autorizado a partir de 1º de fevereiro. Por conta do aumento dos casos de contaminação, a data para o retorno presencial foi adiada para o dia 8 de fevereiro. No dia 28 de janeiro, entretanto, o sindicato conseguiu derrubar a decisão com uma liminar que impedia o retorno presencial. No dia seguinte, porém, o governo reverteu a liminar e garantiu o retorno presencial para o dia 8.
De acordo com a representante do sindicato dos professores, o governador João Dória (PSDB) erra ao permitir o retorno de forma irresponsável, ela também fez críticas aos critérios adotados para determinar o retorno da região à fase amarela do Plano São Paulo, o anúncio foi feito nesta sexta-feira.
“Ninguém entende os critérios. Uma hora ele aumenta as restrições do comércio, na outra ele flexibiliza novamente. A mesma incoerência é com as escolas. Com qual garantia ele permite o retorno das aulas presenciais? Os jovens são os maiores transmissores, ele leva e traz o vírus, colocam os familiares e a escola em risco”, lamentou.
Até o momento, a rede estadual de Suzano e Ferraz de Vasconcelos contabilizam cerca de 53,1 mil alunos matriculados em 2021. Isso porque a diretoria de ensino de Suzano responde pelas duas cidades. A informação é da diretora executiva.
Segundo a representante do sindicato dos professores, a expectativa é que todos os professores sindicalizados deverão aderir à greve. Só em Suzano, o número de sindicalizados chegam à 1,6 mil. Desde o início da pandemia, os profissionais estão atuando nas aulas remotas. O que faz muitas pessoas acharem que o setor não está trabalhando.
“Às vezes as pessoas confundem e falam que não queremos trabalhar, sendo que as aulas remotas seguem ocorrendo e todos os profissionais estão trabalhando. Mas temos o direito de lutar para trabalharmos em um lugar que oferece segurança, não é o caso das escolas”, lamentou.
A expectativa do Sindicato é que o governo volte atrás da decisão e mantenha o ensino remoto.