Sorteadas em agosto de 2017, as 600 unidades habitacionais do empreendimento Residencial Suzano II, localizado na Estrada Takashi Kobata, no Jardim Europa, ainda aguardam data de entrega. Sem a obra concluída e o alvará do Corpo de Bombeiros, a Prefeitura não pode liberar a ocupação do prédio.
Segundo a administração suzanense, não é possível expedir o "Habite-se", que é uma certidão necessária para que as famílias tomem posse de seus apartamentos.
O local onde foi construído o residencial não teve autorização nem da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e nem da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para instalação da rede de esgoto.
Assim, as famílias sorteadas seguem aguardando suas casas sem saber quando as terão. Segundo a Prefeitura, a empresa responsável pela construção do residencial teria recebido recursos do Banco do Brasil - agente financeiro - para a conclusão das obras, mas os valores teriam sido usados "para pagamento de débitos da construtora".
A empresa alegou "insuficiência de recursos", impossibilitando a continuidade das obras.
Pesadelo
A situação do Suzano II se tornou um pesadelo para muita gente. Segundo a Prefeitura, a rede de esgoto deveria ter sido construída "em meados de 2018". Com o problema em mãos, um acordo foi proposto entre a Qualyfast (construtora responsável pelo Suzano II) e a Cury Construtora e Incorporadora, que havia conseguido implantar uma rede de esgoto parecida em um local próximo. A Qualyfast alegou "dificuldades internas".
A Prefeitura realizou uma reunião com o Banco do Brasil e com a Qualyfast, onde teria sido estabelecido um cronograma para término de obras. Isso aconteceu em setembro do ano passado, com previsão de entrega de metade dos apartamentos às famílias em janeiro deste ano.
Três meses depois, os apartamentos foram invadidos e a fiação elétrica furtada.
O DS foi ontem (15) até o Suzano II. Pessoas que trabalham no local confirmaram à reportagem que não só fios, mas outras coisas também foram furtadas e vandalizadas nos apartamentos.
Hoje, as portas externas ficam fechadas e ninguém tem acesso aos apartamentos.
A Prefeitura se posiciona como "articuladora" entre a construtora e o banco financiador. A administração diz que a rede de esgoto do Conjunto Bosque das Flores seria usada pelo Residencial Suzano II, já que o terreno não foi aprovado, e que a Qualyfast ficaria responsável por isso. Destacou, inclusive, que a Qualyfast assumiu a rede do Bosque das Flores, que antes era da Cury Construtora.
O DS procurou a Qualyfast, mas não teve retorno por e-mail e o telefone da construtora consta o tempo todo como "ocupado".
O Banco do Brasil, que financia a obra, também foi procurado. Mas até o fechamento da reportagem, não havia retornado.
O DS também procurou a Cury, para saber sobre a rede de esgoto, mas até o fechamento da reportagem, também não havia respondido.