Três imóveis situados no bairro do Sesc – sendo ao menos dois deles do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - estão abandonados. Eles foram a leilão, mas não arrematados. Hoje, são usados por usuários de entorpecentes e moradores de rua para a prática de crimes.
Os relatos de quem mora no entorno são impressionantes. Além do abandono, os próprios vizinhos deixam animais largados dentro dos terrenos, e eles acabam procriando e causando ainda mais dor de cabeça.
Os imóveis teriam sido adquiridos por meio de financiamentos com o Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC), mas os moradores não fizeram os pagamentos. Eles foram para o INSS, que teria pedido reintegração de posse.
Só que os donos saíram e os imóveis ficaram abandonados. O pior de tudo, é que há registros de casos de estupro contra animais dentro destes locais.
Aline Conti, 27, é protetora de animais. Ela tenta reduzir os problemas castrando alguns dos bichos que ficam na casa. Segundo ela, a briga de proprietários das casas com o INSS já dura mais de 20 anos. O dono de uma das residências, que fica na Rua Sebastião Pereira Vidal, morreu. “As pessoas vêm e largam os gatos, e eles procriam. É difícil. O dono da casa morreu e, desde então, a situação está assim. A casa estava cheia de móveis e saquearam tudo. Há mais de 20 anos, ocorre essa situação com o INSS. Tem mais casas assim aqui”, disse.
O policial Antonio Marcos, 32, torce para que a situação seja resolvida o mais rápido possível. “É uma vergonha. Essa casa poderia estar sendo vendida ou alguém poderia estar morando aí, sem acesso aos usuários de drogas e moradores de rua”, afirmou.
No site do Ministério da Economia, foi publicado um texto em 8 de junho do ano passado, afirmando que alguns terrenos e prédios seriam leiloados. Entre os locais, aparece um na Rua Milton Pereira Vidal, com preço mínimo de R$ 140 mil à vista.
No site Taha Leilões, foi publicado um edital do INSS entre os meses de agosto e setembro de 2018. Nele, aparece a casa da Rua Sebastião Pereira Vidal, com lance inicial de R$ 157 mil.
O autônomo Gabriel de Souza, 31, mora próximo a outra residência, localizada na Rua Ramon Barbancho. Por lá, ele e a família também têm medo dos acontecimentos da casa. Ela está abandonada e já serviu de abrigo para usuários de entorpecentes. “Para nós, é um pouco preocupante porque por tudo o que já foi falado desta casa e por quem frequentava ela. Somos pais de família, trabalhamos, mas confiamos em Deus e que ele vai dar uma solução para nós”, disse. O DS procurou o INSS, mas até o fechamento da reportagem, não obteve retorno.