Os passageiros que usam os trens da linha 11 – Coral, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) reclamam da superlotação ao usarem o serviço de transporte. Com a taxa de leitos destinados à pacientes diagnosticados com Covid-19 chegando à 100% na região, as atenções para lugares podem promover aglomerações foram redobradas. No transporte coletivo não seria diferente.
Nesta semana, as cidades do Alto Tietê – região atendida pela linha 11 – Coral – viram os números de contaminação, óbitos e taxa de ocupação de leitos para Covid-19 dispararem. Os números também refletem a situação de todo o estado de São Paulo, que a partir deste sábado (6), entrará na fase mais restritiva do Plano São Paulo.
Apesar das medidas de restrições, o ajudante de obras Michel Douglas, 24, acredita que fechar serviços não essenciais não será efetivo enquanto houver superlotação nos trens.
“Nunca entendo o critério que adotam. Não acho que adianta fechar tudo enquanto continuar tendo lotação nos trens. De manhã costuma ser tranquilo, mas sabemos que conforme vai se aproximando o fim da tarde, é cena de guerra. Antes era apenas por lugar, hoje é pela própria segurança”, disse o passageiro.
De acordo com a CPTM, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos está com "Operação Monitorada" desde o início da quarentena. A operação é avaliada ininterruptamente, sobretudo em horários de pico, e quando constatada a necessidade, mais trens são dispostos nas linhas da CPTM e do Metrô para buscar a melhor distribuição de passageiros, lembrando que o sistema de trilhos foi projetado e construído para transportar massa, um aglomerado de pessoas em grande escala.
Nos primeiros meses da pandemia a demanda chegou ao patamar de 20% do normal e hoje está em torno de 47% na média nas três empresas - Metrô, CPTM e EMTU, que antes da pandemia transportavam cerca de 10 milhões de passageiros por dia.
Mesmo com as medidas, usar o transporte coletivo ainda se mostra um grande desafio para Gabriel Renine. O autônomo de 20 anos usa os trens com pouca frequência, mas quando precisa, contar com a consciência dos outros é um problema.
“Não é todo dia que faço uso do transporte, mas sempre que preciso, o desconforto é grande. Por mais que você siga os protocolos, muitas pessoas não seguem e, acabam não usando máscara de proteção. A sensação é de insegurança, mas não temos outras opções”, disse.
Precisando do transporte para procurar emprego, Iara Cecília lamenta a situação. “Estou usando o trem quase todos os dias, na procura por emprego. É sempre a mesma coisa, da porta para dentro, é na base do salve-se quem puder. Todos respiram o mesmo ar, todos seguram nos mesmos lugares. Sem contar nas pessoas que tossem e espirram”, disse.
Por usar o serviço em horários com pouca demanda de passageiros, a aposentada Maria Bernadete, 71, relata que se sente segura durante as viagens de trem. “Acho que não tem muito o que fazer. As pessoas precisam se movimentar de alguma forma, e o transporte coletivo é a forma mais barata. Eu venho em horários tranquilos, então me sinto segura sempre, sem aglomeração”, concluiu.