A fase emergencial colocou mais motoboys nas ruas de Suzano para atender os pedidos delivery. Em alguns estabelecimentos, a procura é maior no final de semana. Nos restaurantes, o número de pedidos ainda é baixo se comparado a primeira paralisação, em março de 2020.
Na primeira paralisação, a população ainda contava com o auxílio emergencial. Julio Damásio acredita que a ausência do benefício, entre outros fatores, foi determinante na queda da procura pelo serviço, até agora. “No momento está oscilando ainda. Na primeira paralisação veio o auxílio junto”, opinou Julio, motoboy há dez anos.
Para Julio, ainda é cedo para dizer se a procura será igual ou maior que o ano passado. “As pessoas acreditam que essa parada será mais curta”, disse.
Robson Gonçalves atende pedidos de uma rede de fast-food. A procura é maior no final de semana. Ele chega a fazer dez entregas por dia. “Está baixo ainda”, explica.
Guilherme Gomes Leite crê que o fechamento do comércio derrubou a procura pelo delivery. Ele trabalha pelo aplicativo Uber Eats há um mês. Boa parte dos clientes é comerciante. “Diminuiu bastante. Ajudaria bastante se o comércio estivesse aberto. É através deles que fazemos as entregas”, contou.
Ele aguardava por um pedido, na Praça João Pessoa, no Centro de Suzano. Até aquele momento, ele ainda não havia realizado nenhum atendimento. O entregador acredita em uma baixa de 80%. “Hoje ainda não fiz nenhuma entrega”, afirma.
Para Lincoln Fábio, o motivo da queda é claro: o desemprego e alta nos preços de produtos. “Não é só auxílio. Nós precisamos mais é do emprego. Claro que toda ajuda é bem-vinda, mas é preciso ter constância salarial. As contas de água e luz não param, o preço no mercado está subindo e a gasolina, que usamos, também”.
No restaurante em que atua, a queda foi de 35% a 40%. No domingo, fez 6 entregas em 5 horas de serviço. Todas em Poá. “Suzano estava muito parado. Normalmente trabalhamos no mesmo período e chegava a fazer até 16 entregas”, relatou.
Somente a vacina poderá melhorar a situação, na visão do motoboy. Porém, ainda sim pode levar tempo. “Se ao menos conseguisse vacinar a população e, consequentemente, encorajasse as empresas contratar como antes”.