Reprovação, necessidade de entrar no mercado de trabalho e dificuldade de absorver conteúdos são problemas comuns para justificar os índices de evasão escolar.
Entretanto, com a pandemia e a dificuldade de acesso às aulas remotas por parte dos alunos, o Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) e o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apontam que este cenário pode piorar ainda mais.
De acordo com as entidades, a falta de investimentos do Governo do Estado por meio da Secretaria da Educação (Seduc) tem sido um dos maiores problemas e não ajuda a evitar que ainda mais alunos abandonem as escolas na rede estadual, bem como nas escolas localizadas na região do Alto Tietê.
Acompanhando as escolas de Suzano durante o cenário pandêmico, Ana Lucia Ferreira, diretora executiva estadual da Apeoesp, explica que são muitos os fatores que justificam a evasão escolar neste período.
“A evasão escolar sempre existiu, principalmente no ensino médio, mas é percebido que na pandemia vem aumentando. Tivemos que nos adaptar ao ensino remoto, mas grande parte da população não possui acesso a esse meio. O que incentiva esse aluno a permanecer?”, questiona a representante da Apeoesp.
No início de junho, o sindicato realizou uma pesquisa com as escolas da rede estadual de Suzano, que indicaram baixo índice de adesão ao ensino presencial. A entidade afirma que isso também é um indício da falta de confiança dos alunos nos protocolos sanitários que não são totalmente respeitados nas escolas.
“A falta de investimento na educação sempre foi um problema, mas durante a pandemia ficou mais escancarado. Tanto na modalidade presencial as escolas não dão segurança quanto no remoto os alunos estão desamparados”, disse Ana Lúcia Ferreira.
Na mesma linha, a Udemo também calcula que já esteja ocorrendo um aumento significativo no índice de evasão escolar, entretanto, ainda é difícil quantificar, já que a atual modalidade de ensino – entre o presencial e remoto – dificulta este controle.
Entre os problemas de ter essa comprovação, a entidade destaca que a presença dos alunos nas escolas tem sido baixa e irregular, mas como existe um percentual estipulado (35% no máximo) fica difícil saber quem desistiu.
Na modalidade remota, a Udemo afirma que a Seduc orienta deixar em branco o espaço destinado ao controle de frequência dos alunos (via trabalhos apresentados) assim como emitir uma nota fictícia, para os alunos que não têm nenhuma participação nessas atividades, dificultando ainda mais o controle.
“Temos certeza de que a evasão vai aumentar – ou já aumentou - com a epidemia, mas não há como quantificá-la, neste momento”, afirmou a Udemo em nota.