Uma privatização de estações de trens no Alto Tietê prejudicaria os passageiros e não traria melhorias no serviço. É o que pensa o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários da Zona Central do Brasil, que representa a categoria no Alto Tietê, Mucio Alexandre.
Para ele, a privatização não traria benefícios nem para os ferroviários e nem para os passageiros, pois prejudicaria a execução do serviço. “Isso deixaria o serviço precário. Prejudicaria a mão de obra e o atendimento ao usuário. Além disso, causaria aumento do valor da tarifa. A iniciativa privada visa somente o lucro”, disse Mucio.
A hipótese surgiu no final de 2019. Na ocasião, a Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos informou que as 12 estações da região (nove da Linha 11- Coral e três da Linha 12- Safira) seriam concedidas para a iniciativa privada. Na época, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) descartou e afirmou que apenas as estações Jundiapeba, Mogi das Cruzes e Estudantes estavam dentro do projeto. No entanto, não houve evolução.
“O sindicato é totalmente contra. É um posto de trabalho ferroviário com características e treinamentos específicos”, complementou Mucio.
O especialista Nobuo Aoki Xiol acredita que dificilmente isso ocorrerá. A não ser que a estação possua uma área grande para realizar outras atividades em paralelo. Isso, na visão de Xiol, também é difícil de acontecer. “Não vejo perspectivas de que isso aconteça. Esse sistema ferroviário ainda carece de uma atividade pública. A não ser que a estação tenha uma área grande. Construir uma espécie de um shopping, o que também é difícil ocorrer”, analisou.
A Linha 11 – Coral possui 9 estações no Alto Tietê. Já a Linha 12 – Safira, possui três estações, mais a Calmon Viana, que atende as duas vias. Procurada, a CPTM informou que irá se manifestar sobre o assunto em breve.
EDITAL
O edital de concessão de três estações da Linha 11 – Coral está em produção, segundo informou a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). São elas: Jundiapeba, Mogi das Cruzes e Estudantes. No entanto, a CPTM afirmou que não existem estudos de privatização da Linha – 11 à empresa privada.
Ainda segundo a CPTM, a Estação Braz Cubas não está incluída no projeto. No entanto, os mesmos estudos feitos nas outras três estações podem ser utilizados neste novo processo de concessão.
A busca pela parceira privada é garantir que eles “participem investindo nas estações e ambientes que são viáveis”, segundo a companhia. A Companhia explicou que investe constantemente na região do Alto Tietê. O número de viagens na Linha 11 – Coral cresceu em 2%, segundo a CPTM.
A empresa citou ainda a eliminação da baldeação na Estação Guaianases, possibilitando a ida direto à Estação Luz, diminuição no tempo de intervalo do trecho entre a mesma estação até a Estudantes (de 9 para 8 minutos) e reduziu em 2 minutos o tempo de viagem entre Brás e Tatuapé. Além disso, adicionou uma Operação Especial na Corinthians-Itaquera em dias de jogos na Neo Química Arena. Segundo a CPTM, a operação ajudou a eliminar “filas de embarque na Estação Guaianases.com melhorias no acesso e linhas de bloqueio”.
Por fim, a companhia citou obras de melhorias nos sistemas de energia. De acordo com a CPTM, o investimento foi de R$ 98 milhões. A previsão de conclusão é no primeiro semestre de 2022. Além disso, também investiu em melhorias dos sistemas de sinalização CBTC. O investimento foi de R$ 520 milhões. O serviço deve ser concluído no final de 2023.