Os municípios vão ter de atualizar suas leis para receber o sinal 5G. O alerta é do presidente executivo da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari.
Existe enorme expectativa sobre os avanços que serão percebidos quando milhões de pessoas e empresas estiverem conectadas a uma velocidade e tempo de latência sem precedentes no Brasil, disse ele.
“Toda a euforia em torno do assunto contrasta, contudo, com um obstáculo que precisa ser imprescindivelmente superado para que o 5G seja viável. Um empecilho que existe há muitas décadas no Brasil e remete, em alguns casos, aos anos 90: a grande dificuldade para se instalar antenas no território nacional, devido às leis municipais extremamente defasadas”, disse o diretor, em artigo no Blog do jornalista Fausto Macedo do Jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo ele, a legislação não acompanhou o avanço tecnológico e, ao tratar de dispositivos de até trinta anos atrás, cria muitos empecilhos hoje descabidos, como exigência de licença ambiental e habite-se. “Se por um lado existe uma grande ansiedade para se conectar ao futuro, paradoxalmente, não há a mesma inquietação para resolver um problema que atrapalha e até impossibilita que este caminho seja traçado”.
Ele lembrou que muitas localidades não podem usufruir da internet em toda sua amplitude justamente por não contarem com quantidade de antenas necessária. “Tal problema afeta milhões de pessoas que ficam impedidas de trabalhar, estudar e acessar serviços básicos”, disse no artigo.
O 5G é a evolução natural das gerações anteriores 3G e 4G - e traz como diferencial não apenas mais velocidade de conexão à internet no celular, mas outras aplicações que poderão revolucionar a sociedade, como objetos inteligentes conectados e cidades inteligentes.
A tecnologia 5G é a próxima geração de rede de internet móvel. Ela trará ainda mais velocidade para downloads e uploads, cobertura mais ampla e conexões mais estáveis. A ideia é usar o melhor espectro de rádio e permitir que mais aparelhos acessem a internet móvel ao mesmo tempo.
Leilão
Ontem, as maiores operadoras de telefonia móvel do país, Claro, Vivo e Tim, arremataram as principais faixas do leilão de 5G realizado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
Juntas essas empresas pagarão R$ 6,8 bilhões em outorgas para a União. Foram arrematadas licenças nas frequências de 700 MHz (megahertz) e de 2,3 e 3,5 GHz (gigahertz). A Anatel decidiu deixar os lotes na faixa de 26 GHz para a sexta-feira (5). Frequências são avenidas no ar por onde as teles fazem trafegar seus sinais.
A expectativa do governo é arrecadar, no máximo, R$ 9 bilhões com o leilão em todas as faixas de frequência. Elas foram avaliadas em R$ 49 bilhões pela Anatel, mas o edital impôs investimentos obrigatórios (cerca de R$ 40 bilhões) para até os próximos 20 anos, que serão descontados do preço das licenças. A diferença entrará no caixa do Tesouro.