O Sindicato dos Delegados do Estado de São Paulo (Sindpesp) calcula déficit de 37%, que corresponde a 302 profissionais no efetivo das delegacias da Seccional de Mogi das Cruzes. Os dados representam delegados, investigadores, agentes policiais e outros. Nos cálculos da entidade, a região conta com 512 cargos ocupados, quando o necessário previsto em lei seria 814.
De acordo com o sindicato, o déficit é maior do que a média estadual, de 35%. Os números correspondem às cidades de Mogi, Suzano, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Guararema, Arujá, Salesópolis e Biritiba Mirim. Santa Isabel e Arujá pertencem à seccional de Guarulhos.
Segundo Raquel Kobashi Gallinati, presidente da entidade, o atual cenário compromete diretamente a segurança da população.
“As seccionais de Guarulhos e Mogi das Cruzes são responsáveis pelas cidades do Alto Tietê. Guarulhos deveria ter 755 policiais, mas conta somente com 526, o que representa um déficit de 30%. Mogi tem a previsão de 814 profissionais, mas tem 512, déficit de 37%, acima da média estadual, de 35%”, explica Raquel.
Na separação entre as funções, o sindicato contabiliza o déficit de pelo menos três delegados. Segundo a entidade, atualmente a seccional de Mogi conta com 48 delegados, quando o necessário previsto em lei é 51.
Apesar disso, o maior déficit apontado é o de escrivães. Segundo a entidade, atualmente a seccional conta com 121 cargos ocupados de escrivão, quando o necessário previsto em lei é de 232 profissionais.
Ainda segundo o levantamento da entidade, outro déficit que pode impactar diretamente no atendimento das ocorrências é o de agente policial. São calculados 108 agentes, quando o necessário seria 210. Ou seja, o déficit é de 108.
O terceiro maior déficit é o de 85 investigadores. Atualmente a seccional de Mogi conta com 181, mas é previsto o necessário de 266 atuantes para a área.
Outra demanda é a de agente de telecomunicações. O déficit é de dez profissionais, já que são previstos por lei 38 agentes para essa função, quando são contabilizados 28.
Entre as áreas, o saldo é positivo apenas para os cargos de papiloscopista e de auxiliar de papiloscopista. A entidade calcula sete quando o previsto em lei é de quatro, e 19, quando o necessário é 13, respectivamente.
Além de reivindicar a contratação de mais efetivo, o sindicato cobra a melhoria nas condições de trabalho da categoria com o pagamento de melhores salários. Segundo a presidente da entidade, a desvalorização dos profissionais é um dos grandes problemas.
“A Polícia Civil vive uma realidade generalizada de sucateamento, com falta de policiais, sucateamento de viaturas e equipamentos e muitas delegacias completamente deterioradas. Acima de tudo, temos a desvalorização dos profissionais, visto que O Governo do Estado de São Paulo paga os piores salários do Brasil para a Polícia Civil”, conclui.
A Polícia Civil informou não comenta levantamentos cuja metodologia desconhece. Em relação ao déficit estadual, no entanto, ressalta que o número apontado não tem qualquer lastro com a realidade. Desde o início da atual gestão, em 2019, mais de 2.200 policiais civis, incluindo remanescentes do concurso de 2017, foram contratados. Outros 2.939 profissionais da segurança pública.