O delegado seccional Jair Ortiz detalhou nesta semana, em entrevista ao DS, as principais ações na área da segurança pública para o Alto Tietê em 2022. Entre as novidades está ampliação do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil.
Ele também detalhou o avanço das obras da construção da Delegacia de Suzano e todo o planejamento das delegacias para 2022.
A ideia de ampliar os trabalhos do GOE, segundo Ortiz, tem por objetivo descentralizar as operações feitas em Mogi das Cruzes, onde uma unidade já atua. A expectativa é que novas unidades sejam criadas em Suzano e Itaquaquecetuba, mas com circulação contínua também em Poá e Ferraz de Vasconcelos.
"Pretendo ter (ao todo) três unidades do GOE na região, que antes era o Garra. Pretendo ter, não só em Mogi das Cruzes, como também ter um GOE e policiais circulando juntos em Itaqua, em Poá, Suzano e Ferraz de Vasconcelos", conta.
De acordo com o delegado, a medida se faz necessária já que as outras cidades também demonstram diariamente a necessidade de contar com delegacias especializadas, não apenas Mogi.
"Se pegar essas cidades e fazer um somatório da população, vamos ver que elas exigem delegacias especializadas. Não dá mais para a gente ter apenas Mogi como a cidade que centraliza tudo", explica.
Delegacia de Suzano
O projeto para a reforma da Delegacia de Suzano está adiantado, afirma o delegado. Segundo ele, a nova unidade vai atender especialmente as necessidades da população.
"Estamos com o projeto em andamento. Já está bem avançado. Quando o prédio foi construído, visava o atendimento de uma população pequena. Hoje a cidade exige um prédio de segurança pública muito maior do que aquele, com muitos mais policiais", conta.
Atualmente o projeto está em fase de licitação, com a convocação de empresas que querem participar da construção de forma técnica. A unidade é vista como um experimento modelo para outras reformas que deverão ser feitas em outras delegacias da região.
"A ideia é fazer a reforma da Delegacia de Suzano, e na sequencia disso, começar a fazer as novas delegacias da região como um todo", conta.
DDM
Além disso, Ortiz também tem como objetivo expandir o número de unidades da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). De acordo com ele, o projeto já está sendo articulado com o Estado e sinaliza a implantação de unidades em Poá e Ferraz.
"Estou com um processo em andamento junto ao Governo do Estado para criar a Delegacia da Mulher de Ferraz de Vasconcelos, e também uma Delegacia da Mulher em Poá. Então, vamos ter uma em cada uma dessas cidades", adianta.
Segundo ele, a implantação de novas unidades vai expandir o atendimento especializado para vítimas de violência doméstica. Na análise do delegado, o crime contra a mulher é um crime que possui características diferentes das investigações dos crimes comuns.
"É muito diferente você estar em um plantão policial, por exemplo, e atender um caso envolvendo um ladrão que foi surpreendido roubando, e no mesmo plantão você atender uma mulher que foi vítima de violência doméstica", aponta.
Para que isso seja possível, Jair Ortiz calcula que a maior dificuldade seria a contratação de investigadores e escrivães. De acordo com ele, o número atual de delegados já seria o suficiente. "O meu problema hoje na região não é com delegados de polícia. O número de delegados que temos é suficiente para atender a nossa demanda de investigações. O problema maior que temos hoje está nos quadros operacionais da polícia", conta.
Nos quadros operacionais, o delegado detalha que estão os investigadores, os agentes que fazem o trabalho de policiamento investigativo, propriamente, e os escrivães.
De acordo com ele, é uma luta ter profissionais destas áreas na região.
Para absorver melhor as investigações de crimes de homicídios, também está prevista a instalação de um setor de homicídios para as cidades de Itaqua e Poá, outro para Suzano e Poá.
O objetivo é compor a unidade já existente em Mogi, que hoje recebe casos da região.
"Serão três setores de homicídios para a região. Todos centralizados", conta.
Concursos
Apesar do efetivo policial, com 600 policiais civis e cerca de 55 delegados, Ortiz conta que ainda existem faltas que estão sendo consideradas pelo Governo do Estado. Para isso, ele projeta a abertura de concursos ainda neste ano.
"O governador tem programado abertura de concursos públicos, que é um processo demorado, para que a gente possa contratar um grupo maior de policiais para a região, que está carente de policiais. Demora, mas a gente pretende em 2022 trazer um grupo maior de policiais", explica. Entre os principais desafios para a segurança pública, o delegado lembra as características adversas que cada cidade possui.
Ele explica que Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Poá e Itaquaquecetuba, por serem mais próximas da capital, possuem influência cultural muito grande com o local.
Sendo a maior cidade da região, Ortiz detalha que Mogi das Cruzes exige uma demanda de trabalho à nível de cidade grande, assim como em Suzano.
"Depois temos aqui três cidades com características diferentes, porque Salesópolis e Biritiba são cidades onde ainda predomina a zona rural. E temos ainda Guararema, que tem uma com vocação turística muito forte. Então são peculiaridades da região", conta.
Violência
De acordo com Jair Ortiz, entre as principais preocupações da seccional de Mogi são os crimes violentos. Para isso, são dadas orientações e apoio continuo aos policias, com o esforço para reforçar os equipamentos. "Os crimes violentos são os que mais nos preocupam. O crime de roubo, por exemplo, além do sujeito tirar o bem da pessoa, ele pratica violência contra a pessoa, inclusive podendo tirar a vida da vítima, o chamado latrocínio. Esses crimes tiram o sono de qualquer pessoa que trabalha seriamente com a segurança pública", declara.
Para combater esses crimes, o delegado conta que a Polícia Civil busca sempre a investigação e esclarecimento do crime praticado, tirar o criminoso de circulação e combater novos crimes. "Quanto mais a gente consegue esclarecer crimes, mais a gente consegue fazer com que a Justiça Penal puna os autores e consequentemente desestimula a pratica de novos crimes", detalha.
Pedidos de prisão
Segundo Ortiz, a grande maioria de pedidos de prisão solicitados para a justiça são atendidos. "Em termos proporcionais, de cada 100 pedidos de prisão feitos pela polícia, cerca de 90 ou 95 são atendidos prontamente pela justiça", conta. A entrevista completa pode ser assistida nas redes sociais do Diário de Suzano e no portal www.diariodesuzano.com.br