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Especial

Administrador conta história de superação após grave acidente

Suzanense, de 29 anos, sofreu um grave acidente de bicicleta em 2020

08 janeiro 2022 - 22h00 Por Lucas Lima - de Suzano
Você acredita em renascimento? Se sim, se prepare para conhecer a história do suzanense Bruno Allan da Silva Moura. O administrador, de 29 anos, sofreu um grave acidente de bicicleta em 2020, quando teve 95% do rosto quebrado, e ficou entre a vida e a morte por cinco vezes. Com cicatrizes espalhadas pela cabeça e cego de um olho, ele contou exclusivamente ao DS como superou o momento mais difícil que viveu.
 
Em 6 de setembro de 2020, Bruno acordou animado para buscar uma camiseta de ciclismo na casa do pai. No entanto, ele não fazia ideia do que o destino preparava para ele naquele dia. Devido a compromissos, o administrador conseguiu sair de casa, localizada no Miguel Badra, apenas por volta das 21h30. “O caminho de ida até a casa do meu pai, que fica no Sesc, foi tranquilo, como sempre costumo fazer”, conta. Contudo, na volta, Bruno foi arremessado de bicicleta contra um poste e ficou com o rosto 95% quebrado. “Não lembro de nada. O que me vem à memória são os minutos antes andando de bicicleta. Depois minha mãe ficou sabendo que havia batido em um poste”, disse. Até hoje o suzanense não sabe o que realmente aconteceu. “Desconfio que um carro bateu em mim e fui lançado contra um poste. Depois não procurei saber mais informações porque fiquei muito tempo de cama. A única coisa que soube foi de uma enfermeira que fez os primeiros socorros”, ressalta.
 
No local do acidente, Bruno recebeu os primeiros atendimentos médicos e na sequência foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba. De acordo com o suzanense, na unidade de saúde, três médicos recusaram atendê-lo e davam o caso como perdido. Na ocasião, Bruno foi diagnosticado com traumatismo craniano e perca de massa cefálica, além de ter quebrado quatro dentes. “Falaram que eu não ia sobreviver”, afirma o administrador.
 
Durante o período de primeiros socorros, a mãe de Bruno, Valquíria Elilda da Silva, estranhou que o filho não avisou ter chegado em casa e foi procurá-lo. Da polícia, ela recebeu a informação de que um rapaz, sem identificação, teria sofrido um acidente de bicicleta próximo ao bairro onde morava e que teria sido encaminhado para o hospital. Valquíria correu até a unidade e reconheceu Bruno por uma tatuagem no braço. “Não dava para me reconhecer, tinha quebrado todo o rosto”, conta o suzanense.
 
A situação ficou ainda pior quando o médico comunicou Valquíria de que Bruno não resistiria a cirurgia. “Ele perguntou se minha mãe acreditava em Deus. Se sim, para ela rezar para dar certo”, comenta o administrador. A pressão de Bruno caiu durante a cirurgia e os médicos tiveram que aplicar adrenalina para salvá-lo. O procedimento deu certo e o risco entre a vida e morte passou, por um momento. “Mas não parou por aí”, conta Bruno. Mesmo após a cirurgia, Valquíria foi surpreendida com a notícia de que o filho não sobreviveria por mais de 48 horas devido ao grave estado de saúde. Contudo, mais uma vez Bruno renasceu. “Fiquei vivo depois do tempo estimado pelos médicos. Acredito que tinha que ser comigo, um propósito para mim ou minha família. Sou cristão e penso que era para acontecer isso. Outra pessoa não iria sair dessa”, se emociona.
 
O milagre de Bruno, por sobreviver três vezes - batida no poste, cirurgia e pós-cirurgia, perdurou. Após três dias da cirurgia, ele foi infectado por meningite (inflamação no cérebro). “O médico falou para a minha mãe continuar rezando”, contou Bruno. E pela quarta vez deu certo e o suzanense se curou.
 
Você, leitor, agora deve estar se perguntando: “o que mais poderia acontecer para Bruno ficar entre a vida e a morte pela quinta vez?”. A resposta está nas ruas, nos hospitais, em todos os lugares: o coronavírus (Covid-19). O suzanense testou positivo após se recuperar da meningite e novamente os médicos disseram que ele não sobreviveria. “E renasci de novo. Passei por mais essa. Agradeci por estar vivo”, enfatiza. Bruno ficou 30 dias no hospital, sendo 18 dias em coma e 12 dias no quarto.
 
Após esse período, ele teve alta e foi para casa. Além do rosto, que mudou completamente, o suzanense ficou cego do olho esquerdo e perdeu o olfato. Ele também perdeu a memória no primeiro mês e não se lembrava de ninguém da família. No entanto, o que mais marcou Bruno foi a primeira vez em que viu o filho Gael, que na época tinha 11 meses. “Peguei ele no colo e não consegui sentir o cheiro dele. Foi o que mais doeu”.
 
Um pouco mais de um ano depois, atualmente, Bruno está bem. “Me recuperei totalmente em sete meses. Depois disso, apenas me adaptei com a visão. Hoje, o que me restou daquele dia foram as cicatrizes na cabeça”, disse. Para agradecer a Deus, o suzanense caminhou 75 quilômetros de Caçapava até Aparecida.
 
Além disso, ele ainda continua andando de bicicleta. “Não tenho medo. Me sinto vitorioso”, conclui. 

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