Dados do Mapa da Água, realizado pela Repórter Brasil, apontam que a rede de água de Suzano e de mais outras sete cidades do Alto Tietê, entre 2018 e 2020, contam com substâncias que geram riscos à saúde. Apenas a cidade suzanense apresenta substâncias com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer. Por outro lado, em Biritiba Mirim e Guararema todas as substâncias estão dentro do limite de segurança.
O Mapa da Água revela resultados de testes feitos na água tratada que detectaram substâncias químicas e radioativas que podem oferecer risco à saúde. "É esse o controle que define a potabilidade da água. As amostras que contém substâncias fora deste padrão são consideradas impróprias para o consumo, da mesma forma como um alimento pode estar fora da validade ou fora dos padrões sanitários", destaca o relatório.
No Alto Tietê, Suzano tem o cenário mais crítico. O município é o único em que foi detectada uma substância com os maiores riscos de gerar doenças crônicas, como câncer, acima do limite de segurança, e duas outras que também geram riscos à saúde na água.
Já em Arujá, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Poá e Santa Isabel, foi detectada, em cada município, uma substância que gera riscos à saúde acima do limite de segurança na água.
Em Mogi das Cruzes e Salesópolis, foram detectadas, em cada uma, duas substâncias que geram riscos à saúde acima do limite de segurança na água. No entanto, em Salesópolis, o Mapa da Água alerta que a cidade teve três anos consecutivos com substâncias acima do limite de segurança.
Na contramão das oito cidades, na água de Biritiba Mirim e Guararema, todas as substâncias estavam dentro do limite de segurança entre 2018 e 2020.
O professor de toxicologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Fábio Kummrow, afirma que se existe substância acima do valor máximo permitido, pode se considerar que a água está contaminada.
"Uma outra forma de dizer é que essa água não está própria para consumo, como quando um alimento passa da data de validade". Contaminada ou imprópria, Kummrow confirma que existe risco para quem bebe a água, e ele varia de acordo com a substância e com o número de vezes que ela foi consumida ao longo do tempo.
"O risco é maior para quem bebeu diversas vezes ao longo de anos", completa.
Segundo o Mapa da Água, os dados são resultados de testes feitos pelas empresas e instituições responsáveis pelo abastecimento. Eles integram a base de controle do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, o Sisagua, do Ministério da Saúde. Os dados foram interpretados de acordo com os parâmetros do Ministério da Saúde.
Sabesp
A Sabesp alega que os resultados acima do limite são casos pontuais e que eles não indicam problemas no padrão da água. Segundo explicou, a legislação afirma que a contaminação é constatada após periodicidade dos índices.