O movimento negro de Suzano aprova a cartilha com dez princípios de enfrentamento ao racismo no comércio do Estado, elaborada pelo Procon-SP Racial e anunciada nesta semana pelo governador João Doria. Contudo, a comunidade negra questiona a forma que será aplicada nas cidades. A Associação Comercial e Empresarial (ACE) de Suzano também apoia a iniciativa.
De acordo com o Estado, as empresas que aderirem ao Procon Racial terão acesso a informações e apoio para combater o racismo junto aos seus funcionários e fornecedores. Já o consumidor que se sentir discriminado terá um posto de atendimento psicológico e jurídico no campus da Universidade Zumbi dos Palmares, parceira da iniciativa.
A presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir), Maria Monteiro, comenta que a cartilha é uma luta antiga do movimento negro. No entanto, ela lamenta a iniciativa pela falta de respeito das pessoas.
“A cartilhar é fruto de conferências, de luta e mais luta. Demorou para acontecer. Hoje em dia, qualquer pessoa preta é vítima de preconceito. As pessoas não falam. Mas deixam perceber no olhar, nas atitudes. Não tenho pele escura, mas mesmo assim, quando saio com a minha família, percebo que o tratamento é diferenciado. A cartilha é interessante, é importante. Porém, ao mesmo tempo, é triste estarmos em 2022 e ainda o poder público ter que ditar regras. As pessoas não devem ser respeitadas pela cor da pele, mas, sim, como seres humanos. Somos todos iguais”, frisa.
Maria também questiona como será aplicada a cartilha no comércio das cidades paulistas. “Fico me perguntando como os prefeitos e o comércio vão aplicar. Quais serão os meios de denúncias. Em São Paulo tem o Procon-SP Racial. Será que aqui vai ser a mesma coisa?”.
Já o presidente da União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) de Suzano e também membro da diretoria estadual, Edson Pereira Reis, conhecido como Edinho Guerreiro de Fé, celebrou o lançamento da cartilha e ressaltou que será mais um elemento na luta contra o racismo. “Tudo que vem para somar e combater o racismo, que é muito grande no Brasil, é positivo. Hoje, o racismo está dentro das instituições, dentro das empresas, em todos os cantos. Com essa ação, com o Procon dando esse espaço, vamos ter mais esse elemento no combate ao racismo. Recebemos com muita alegria essa cartilha. Mas, agora, as empresas precisam se adequar. Passar aos funcionários”.
ACE
O presidente da ACE de Suzano, Rodrigo Guarizo, comentou que, infelizmente, o racismo é um problema que ainda assola a sociedade. “Iniciativas de combate ao racismo e discriminação sempre são bem-vindas e necessárias”, afirma. Segundo ele, com a cartilha será possível expandir a discussão sobre racismo para todos os empreendedores e reforçar atitudes de combate a ações discriminatórias de cunho racista.
“A integração social e de oportunidades é um dos pilares para o sucesso de toda sociedade e não poderia ser diferente dentro da nossa economia. Toda esta miscigenação de povos e culturas existente em nosso País faz de nosso comércio um dos mais diversificados e amplos no mundo”, completa.