Ao menos seis cidades do Alto Tietê têm lutado para suprir a falta de remédios na rede municipal. Há escassez de medicamentos e, em alguns casos, as entregas têm atrasado, prejudicando a vida de quem precisa destes remédios.
Das dez cidades da região consultadas, seis responderam aos questionamentos do DS e as seis informaram que há dificuldades com pelo menos um medicamento.
A situação é preocupante e exige cuidados. Por isso, há prefeituras que prometem uma regularização da situação, enquanto outras cobram o Governo do Estado pela falta de remédios.
Em Suzano, a Secretaria de Saúde da cidade informou que a Amicacina está em falta. Dois grandes fornecedores, inclusive, solicitaram a descontinuação temporária da fabricação por motivos comerciais em meados do ano passado.
"Outros (medicamentos) também de responsabilidade da Secretaria de Estado da Saúde estão com suas entregas atrasadas, a exemplo dos adesivos de nicotina, sulfadiazina 500 mg e medicamentos para hepatites virais", informou a Prefeitura de Suzano, em nota.
A administração tem buscado alternativas para atender a demanda. Medicamentos como Budesonida spray nasal, Espironolactona 25 mg, Dipirona ampola e Solução fisiológica também estão em falta. Nestes casos, a produção foi interrompida, o medicamento foi descontinuado ou houve problemas com o fornecedor.
Mogi das Cruzes tem seis medicamentos em falta. Deles, a Aminofilina ampola e o Dimenidrinato ampola estão com falta de matéria-prima, sem prazo para resolução do problema. O Bromidrato de Fenoterol gotas foi descontinuado, e três medicamentos têm previsão de entrega para o mês de novembro ou início de dezembro: Butilbrometo de escopolamina + Dipirona ampola, Nitrofurantoína cp e Permetrina 5%.
O problema também afeta Itaquaquecetuba, que tem o antibiótico Amoxicilina 250mg/5ml em falta. Segundo a Prefeitura, o antibiótico está em processo de aquisição. A previsão é de que a situação seja normalizada nas próximas semanas.
Outras três cidades confirmaram que têm problemas com o fornecimento de medicamentos, mas não especificaram quais. São elas: Arujá, Santa Isabel e Poá.
De forma geral, essas cidades têm buscado suprir as necessidades com remédios similares e adquirindo os que estão em falta. A falta de insumos e a pandemia de Covid-19 foram alguns dos fatores apontados pelas prefeituras como causadores deste problema.
Responsabilidade é das prefeituras, diz Estado
A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que a responsabilidade pela falta de medicamentos na rede municipal de abastecimento é das prefeituras de Suzano, Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba (os municípios que especificaram os medicamentos que estão faltando).
Em nota, a pasta informou que os três municípios não estão contemplados no programa Dose Certa e que, desta forma, eles “recebem a contrapartida financeira do governo estadual para aquisição dos medicamentos e insumos do Componente Básico da Assistência Farmacêutica (CBAF)”.
Ainda de acordo com o documento, “a responsabilidade da aquisição (dos medicamentos) é do próprio município”.
Sobre a falta de insumos nas cidades de Santa Isabel, Arujá e Poá, a pasta de Saúde disse que não conseguiria determinar se esse problema procede ou não, nem a previsão de abastecimento, porque os municípios não especificaram os medicamentos que estão em falta.