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Cidades

Bispo de Mogi sai em defesa de Júlio Lancellotti, alvo de CPI na Câmara de São Paulo

Padre que ministra na Capital paulista será investigado caso comissão seja aberta de fato em fevereiro

06 janeiro 2024 - 05h00 Por Gabriel Vicco - de Suzano
O bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, elogiou e defendeu o padre Júlio Lancellotti, que será alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo, conhecida por CPI das ONGs.
 
Em contato com o DS, o bispo da Diocese de Mogi das Cruzes afirmou que Lancellotti “é um grande inspirador”. 
 
“Ele é um modelo para as nossas pastorais sociais, especialmente as pastorais do menor, carcerária, moradores em situação de rua e recuperação dos dependentes químicos”, disse.
 
Stringhini contou que conhece o padre há cerca de 40 anos e é “testemunha de sua dedicação incansável aos pobres, especialmente os moradores em situação de rua”. O Bispo continua dizendo que ficou admirado da forma que Lancellotti reagiu à possibilidade de ser convocado para a CPI. 
 
“Fiquei admirado com o modo lúcido e sereno com que ele reagiu, sempre trazendo à tona que o foco não deve estar na sua pessoa, mas no enfrentamento deste problema social tão alarmante”.
 
Na visão do bispo, a CPI deveria ter outro foco, e não as ONGs que trabalham na cracolândia. De acordo com ele, existem duas perguntas fundamentais e centrais que a sociedade e os parlamentares precisam fazer. 
 
“Existem duas perguntas a serem feitas. A primeira é: quais são as políticas públicas que a Prefeitura e o governo estadual estão implementando diante da realidade dos 55 mil moradores de rua da capital? E a segunda é: o que estão fazendo para combater o tráfico de drogas?”.
 
Ele finaliza dizendo que Lancellotti já afirmou que não faz parte de qualquer ONG. “Portanto ele não recebe nenhum subsídio da Prefeitura de São Paulo e nem do governo estadual”.
 
Padre Júlio Lancellotti é conhecido por seus trabalhos destinados a pessoas em situação de rua da cidade de São Paulo. A CPI seria criada para investigar ONGs que atuavam na Cracolândia, mas perdeu força e pode não sair do papel.
 
Caso
 
Segundo o portal de notícias G1, o vereador Rubinho Nunes, vereador que propõe a criação da CPI, negou que tenha objetivos eleitorais com a proposta e tergiversou quando questionado sobre a conquista dos 28 votos necessários em plenário para a instalação da comissão.
 
“O objetivo da CPI vai além das demandas eleitorais. Existem indícios sérios contra diversas ONGs. E isso é de interesse público e da Câmara de SP”, declarou.
 
Questionado sobre o motivo de investigar o padre Júlio, que não faz parte do quadro societário e decisório de nenhuma ONG, Rubinho negou que esteja perseguindo o padre ou a Igreja Católica.
 
“O padre Júlio não é uma igreja. É uma pessoa que explora a miséria no Centro de SP. Inclusive ele não é uma unanimidade dentro da Igreja Católica. É uma figura controversa. Ele atua diretamente ligado a essas ONGs. Mas só que, assim como alguns picaretas à moda antiga, que se baseiam em laranjas e empresas de fachada, ele se vale de pessoas que tocam as ONGs”, declarou o vereador.

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