O bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, dom Pedro Luiz Stringhini, elogiou e defendeu o padre Júlio Lancellotti, que será alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo, conhecida por CPI das ONGs.
Em contato com o DS, o bispo da Diocese de Mogi das Cruzes afirmou que Lancellotti “é um grande inspirador”.
“Ele é um modelo para as nossas pastorais sociais, especialmente as pastorais do menor, carcerária, moradores em situação de rua e recuperação dos dependentes químicos”, disse.
Stringhini contou que conhece o padre há cerca de 40 anos e é “testemunha de sua dedicação incansável aos pobres, especialmente os moradores em situação de rua”. O Bispo continua dizendo que ficou admirado da forma que Lancellotti reagiu à possibilidade de ser convocado para a CPI.
“Fiquei admirado com o modo lúcido e sereno com que ele reagiu, sempre trazendo à tona que o foco não deve estar na sua pessoa, mas no enfrentamento deste problema social tão alarmante”.
Na visão do bispo, a CPI deveria ter outro foco, e não as ONGs que trabalham na cracolândia. De acordo com ele, existem duas perguntas fundamentais e centrais que a sociedade e os parlamentares precisam fazer.
“Existem duas perguntas a serem feitas. A primeira é: quais são as políticas públicas que a Prefeitura e o governo estadual estão implementando diante da realidade dos 55 mil moradores de rua da capital? E a segunda é: o que estão fazendo para combater o tráfico de drogas?”.
Ele finaliza dizendo que Lancellotti já afirmou que não faz parte de qualquer ONG. “Portanto ele não recebe nenhum subsídio da Prefeitura de São Paulo e nem do governo estadual”.
Padre Júlio Lancellotti é conhecido por seus trabalhos destinados a pessoas em situação de rua da cidade de São Paulo. A CPI seria criada para investigar ONGs que atuavam na Cracolândia, mas perdeu força e pode não sair do papel.
Caso
Segundo o portal de notícias G1, o vereador Rubinho Nunes, vereador que propõe a criação da CPI, negou que tenha objetivos eleitorais com a proposta e tergiversou quando questionado sobre a conquista dos 28 votos necessários em plenário para a instalação da comissão.
“O objetivo da CPI vai além das demandas eleitorais. Existem indícios sérios contra diversas ONGs. E isso é de interesse público e da Câmara de SP”, declarou.
Questionado sobre o motivo de investigar o padre Júlio, que não faz parte do quadro societário e decisório de nenhuma ONG, Rubinho negou que esteja perseguindo o padre ou a Igreja Católica.
“O padre Júlio não é uma igreja. É uma pessoa que explora a miséria no Centro de SP. Inclusive ele não é uma unanimidade dentro da Igreja Católica. É uma figura controversa. Ele atua diretamente ligado a essas ONGs. Mas só que, assim como alguns picaretas à moda antiga, que se baseiam em laranjas e empresas de fachada, ele se vale de pessoas que tocam as ONGs”, declarou o vereador.