Mais de um estupro a cada 24 horas foi registrado nos primeiros seis meses do ano no Alto Tietê. Apesar de o número de estupros de vulneráveis ter caído 2,4% no 1º semestre de 2025, se comparado ao mesmo período do ano passado, a situação ainda é muito preocupante. No ano passado, foram 242 casos nas dez cidades do Alto Tietê, enquanto neste ano os municípios registraram 236 crimes do tipo, cerca de 1,3 caso por dia.
Quatro cidades tiveram queda nos números e três tiveram aumento. Ferraz de Vasconcelos, com 20, Salesópolis, com três, e Santa Isabel, com oito, mantiveram os números de registros do crime.
Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP). Os estupros contra vulneráveis são cometidos contra menores de 14 anos ou pessoas que não podem oferecer resistência, independentemente do motivo.
MAIOR QUEDA
Poá foi a cidade que teve a maior queda, saindo de 16 para quatro casos, o que representa 75%. Em Biritiba, a diminuição foi de 55,5%, caindo de nove para quatro. Arujá viu o número sair de 12 para oito (33,3%) e em Itaquá a queda foi de 49 para 42 (14,2%.
Aumento
A cidade que teve o maior aumento foi Suzano, com 30,3% de crescimento no número de estupros de vulneráveis. De um semestre para o outro, os registros saíram de 33 para 43 na cidade.
Em Guararema o aumento foi de 22,2%, saindo de nove para 11. Já em Mogi das Cruzes o crescimento foi de 12%, saltando de 83 para 93.
Especialista
O DS buscou o especialista em Segurança e colunista do DS, Jorge Lordello, para analisar os números de estupros de vulneráveis na região.
Na visão de Lordello, os números não refletem a realidade e são bem maiores. “Estudos mostram que menos de 6% dos abusos contra menores de idade chegam à Delegacia de Polícia.
Ou seja, a grande maioria desses crimes praticados contra menores de idade sequer chegam à polícia para apuração”, disse.
Esse baixo índice de comunicação deste tipo de crime à polícia, de acordo com o especialista, se dá porque os estupros contra vulneráveis são cometidos por pessoas próximas da vítima.
“Isso ocorre porque as vítimas são crianças e adolescentes, as pessoas que abusam são muito próximas, são crimes feitos em quatro paredes. Todos esses fatores fazem com que uma pequena parcela dos abusos chegue a registro policial”, explicou Lordello.