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Cidades

Justiça condena Kimberly-Clark após funcionário receber certificado de ‘Escravo CLT’

Empresa afirmou no processo que a situação foi uma brincadeira entre colegas

30 setembro 2026 - 19h05 Por da Reportagem Local

A empresa Kimberly-Clark Brasil foi condenada a pagar R$ 15 mil de indenização por danos morais a um técnico de segurança do trabalho terceirizado que recebeu um certificado com o título “1º Escravo CLT” durante uma confraternização de fim de ano. A decisão foi tomada pela 1ª Vara do Trabalho de Suzano. O caso ocorreu na filial da empresa em Suzano em 2024.

A sentença foi proferida nesta terça-feira (29). A empresa também foi condenada ao pagamento de honorários advocatícios de 10%. A multinacional pode recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2).

O técnico recebeu o certificado durante uma dinâmica, “Melhores do Ano 2024”, realizada em 6 de dezembro de 2024. O documento levava a assinatura de um supervisor e um carimbo com o nome e endereço da unidade de Suzano. Segundo o relato, a entrega teve projeção em telão, e fotos do evento compartilhadas em um grupo corporativo de mensagens.

Outros três técnicos de segurança do trabalho também receberam premiações na categoria “Escravos CLT”. Outra testemunha relatou a existência da categoria “curva de rio”, destinada a quem parava mais para conversar durante o trabalho.

A Kimberly-Clark Brasil informou que tomou conhecimento da sentença referente aos fatos ocorridos durante a confraternização de funcionários terceirizados em 2024. A empresa disse que o profissional não era empregado direto e que a festa não teve organização oficial da companhia. A empresa lamentou o ocorrido e afirmou que a ação ocorreu em um pequeno grupo de pessoas e não condiz com os valores da companhia. 

Na sentença, a juíza Juliana Ranzani afirmou que a expressão escravo remete à desumanização e violência institucional. Segundo a magistrada, associar um trabalhador assalariado à figura de “escravo” em uma cerimônia pública é uma conduta “altamente aviltante, violenta e reprovável”.

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