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Jorge Lordello

Os problemas de antigamente

21 fevereiro 2024 - 08h00 Por Gabriely Machado
Os problemas de antigamente

Não sei sua idade, mas talvez você se identifique com os perrengues de outrora. Época que quase sempre as fichas acabavam no meio da ligação feita do orelhão. A agulha riscava o LP bem na melhor música. Você datilografava errado quanto o texto estava no finalzinho e não tinha fita corretiva de máquina de escrever pra consertar. O locutor falava as horas ou soltava uma vinheta bem no meio da música que você tinha passado horas esperando pra gravar e depois o toca-fitas mastigava a fita K7 e perdia tudo. Era muito frustrante. E quando alguém fumava dentro do ônibus? Qual era o seu sentimento? Lembra, também, da multa que tinha que ser paga por devolver a fita de vídeo VHS pra locadora sem rebobinar? E o Ki-suco, que sempre vazava da garrafinha da lancheira e molhava as bisnaguinhas com patê. A televisão resolvia sair do ar no dia do último capítulo da novela. E seu pai tinha que subir no telhado pra mexer na antena. E ele gritava lá de cima: "melhorou?" E você, embaixo, avisava: "melhorou o 5, o 7 e o 9. Piorou o 4, o 11 e o 13". Nunca todos os canais ficavam bons ao mesmo tempo. Chegar à padaria e lembrar que tinha esquecido o "casco" do refrigerante era algo que sempre acontecia. Ficava furioso quando as 36 fotos do meu aniversário tinham ficado desfocadas. Se o palito fosse premiado, a gente ganhava o segundo sorvete grátis, e até hoje ainda olhamos o palito na esperança de ainda haver essa promoção. E nem faz tanto tempo assim, mas os jovens de hoje não têm a mínima ideia do que significa tudo isso.