O final do ano vai chegando e com ele datas de comemorações boas e outras que nos remetem as perdas doloridas.
Converso com uma tia já de avançada idade e que o caminhar foi levando os seres mais próximos e queridos, com o passar do tempo nos despedimos dos pais, irmãos, do companheiro, de amigos e muitas vezes de filhos e, vamos ficando sozinhos como ela está agora.
A vida é assim um constante chegar e partir, essa é a lei...
Em outros tempos de famílias grandes com muitos filhos a solidão só era sentida depois do afastamento deles para constituírem suas próprias famílias, mas a chegada dos netos, dos sobrinhos, das pessoas que iam se agregando como esposas e esposos, preenchiam o ambiente com novas conversas, sorrisos e permitiam que as memórias não se apagassem somente se tornassem mais leves.
Quando saímos de nossa casa paterna para iniciar a nossa família sempre deixamos um vazio, nossos pais sentem nossa ausência mesmo que estejamos sempre retornando e muitas vezes com notícias alvissareiras do aumento da família, motivo de alegria e júbilo. Criamos vínculos com nossos novos parentes e parece que a vida é feita somente de felicidade, pois, convivemos com familiares, amigos que nos acompanham desde a infância e os que fazemos na nossa caminhada escolar e profissional.
Temos muitos compromissos, mal damos conta de todos os convites, sequer temos tempo para pensar ou imaginar o que seja a solidão, palavra que desconhecemos por completo durante muito tempo na nossa existência. O tempo esse companheiro de todos nós é implacável, ele caminha continuamente, nada o detém, nem dias felizes ou tristes, os chuvosos ou ensolarados, ele prossegue independente da nossa vontade, segue seus desígnios superiores. Quando mais jovens e ansiosos vemos com alegria a passagem dele, nos traz a maioridade (em outras épocas aguardada cheia de expectativa), tempo de poder se habilitar como motorista, frequentar lugares de "adultos" e antigamente até ter acesso livre aos cinemas para filmes liberados para maiores de 18 anos... Era só felicidade...
Esse mesmo tempo carrega em si um pouco de tudo, traz alegria e, também traz a tristeza da partida daqueles que amamos, vemos nossos pais partirem e ali fica para sempre o vazio que não será preenchido, somente restam lembranças que por vezes fazem as lágrimas correrem livres em nossas faces. Vemos o caminhar para o outro plano os tios, amigos, pessoas conhecidas e até mesmo irmãos mais novos, um grande vazio se instala, a alegria fará parte, mas sempre com as lacunas impreenchíveis...
Sentimos de fato o peso da solidão em toda sua extensão quando ficamos sozinhos, os parentes já com idade têm dificuldade para sair de suas casas, os filhos estão muito ocupados com seus afazeres, nós não temos tantos compromissos, alguns não tem nenhum e, com isso acabam sendo meio esquecidos, são lembrados, mas por conta da vida ativa que levamos deixamos para depois uma ligação telefônica, uma visita e os mais velhos sentem a falta da presença física dos familiares e dos amigos...
Nesse momento a palavra solidão ganha um peso extraordinário para algumas pessoas, que são obrigadas a se acostumar com refeições solitárias, ouvindo por vezes somente o som da própria voz queixando-se de alguma dor. A saudade aperta e as lembranças daqueles que já se foram doem mais e daqueles que se ausentam espontaneamente além de doer faz sentir que foram esquecidos...
Difícil encontrar palavras para acalentar quem sofre com a solidão, melhor se fazer presente sempre que possível na vida daqueles que amamos...