As crianças passam por um processo difícil até aprenderem a dividir, partilhar, compartilhar com os irmãozinhos e amiguinhos, os brinquedos, a atenção dos adultos, os espaços, um lanche, que seja. É um aprendizado doloroso, que faz parte da socialização na infância! E, por incrível que pareça, muitos adultos não aprenderam isso bem! Se formos pensar na distribuição da riqueza mundial, em que a maior parte dela está nas mãos de poucos, e a parte restante precisa ser dividida pela grande massa da população do planeta, chegamos à conclusão de que nós, seres humanos, não aprendemos a lição da partilha! A Páscoa estava chegando. Jesus olhou a sua volta e viu a grande multidão que o seguia, porque tinha visto os milagres que Ele fizera. A multidão estava faminta. Onde comprariam comida para tanta gente? Foi o que perguntou Filipe. Para cada pessoa receber um pouco de pão seria necessário mais dinheiro. André, irmão de Simão Pedro, apareceu com uma solução - havia ali um menino com cinco pães e dois peixinhos. Mas o que era isso para tantos? Praticamente, nada. De quem era o problema da multidão faminta? Jesus o considerou como sendo seu problema, movido pela compaixão por aquelas pessoas.
A compaixão deve ser vivida na prática. O mundo está cheio de gente que não se importa com a dor do outro, de gente que não tem compaixão. A indiferença está fazendo parte de nossa vida! "O problema não é meu!" Jesus não teceu qualquer consideração diante das falas de seus discípulos. Deu o exemplo - pediu que os discípulos orientassem o povo a sentar-se no chão. Estavam ali quase cinco mil homens. Jesus pegou os pães, deu graças a Deus e os repartiu com todos, fazendo o mesmo com os peixes. Todos comeram à vontade até ficarem satisfeitos. E ainda sobraram doze cestos. Foi a multiplicação dos pães, conforme João 6:1-14. Essa história nos faz lembrar de um dito popular: "O pouco com Deus é muito". Deus pode multiplicar o que parece pouco. Portanto, não devemos nos impressionar com a quantidade; ao contrário, estejamos abertos para sermos surpreendidos pela provisão de Deus em qualquer tempo da vida.
Vivemos em um contexto de incertezas econômicas e desemprego. Outro dia estava lembrando de que meus pais sempre compartilharam o pouco que tinham com os necessitados. Se eles soubessem que alguém estava precisando de alimentos, de alguma ajuda, eles sempre se dispunham, repartindo o pouco que tínhamos. Isso foi um bom exemplo para nós! Nesses tempos muitas famílias têm enfrentado dificuldades financeiras. Sabemos que a pobreza sempre existiu no mundo, e que existem muitas maneiras de explicar a sua existência, dependendo da época, do contexto histórico e sócioeconômico. Existe, todavia, uma porta para a multiplicação, conforme Jesus nos ensinou. O menino que tinha 5 pães e 2 peixinhos se dispôs a partilhar/compartilhar o que tinha. A matemática de Deus é diferente - quem divide, partilha, compartilha, acha o caminho da multiplicação. Tenhamos essa disposição! "A alma generosa prosperará". ( Provérbios 11:25) O autor de Eclesiastes também fala sobre isso: "Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. Reparte com sete, e ainda até com oito; porque não sabes que mal haverá sobre a terra". (Eclesiastes 11:1-2) Aqui aprendemos que hoje somos nós os abençoadores, aqueles que estão repartindo com os que necessitam; amanhã, podemos ser os abençoados, seja por uma ajuda financeira, por uma oração, por uma palavra de conforto e encorajamento, não sabemos. Muita coisa pode mudar de uma hora para outra! A marca de um cristão é o amor, que é manifestado em atos de compaixão, bondade, generosidade, em relação ao próximo.