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Colunistas

Valorosos e valentes

29 outubro 2026 - 05h00 Por Sueli Barão

A visão que temos sobre nós mesmos pode estar contaminada por traumas do passado, fracassos e acontecimentos trágicos, influenciando fortemente a nossa forma de viver. O período dos juízes em Israel foi marcado por desordem na nação, em que cada um fazia o que achava certo aos seus próprios olhos. As leis não eram respeitadas nem cumpridas. Havia um clima de anarquia moral e espiritual. "Naquela época, não havia rei em Israel; cada um fazia o que era certo aos seus próprios olhos". (Juízes 21:25) Era um tempo difícil em que o povo de Israel vivia entre altos e baixos, na inconstância. Ora era fiel a Deus ora se entregava ao pecado da idolatria, o que trazia como consequência muitas tribulações. O povo era perseguido e vencido pelos povos inimigos. Nesse contexto, entra em cena Gideão, o quinto e um dos mais importantes juízes de Israel, cuja história é contada nos capítulos 6 a 8 do livro de Juízes. No tempo de Gideão, os israelitas tinham que se esconder dos midianitas em cavernas e em outros lugares seguros nas montanhas, porque os midianitas eram mais fortes do que eles. Os israelitas eram atacados por esse povo e tinham as suas colheitas destruídas. Viviam sob o domínio do medo. Então, pediam socorro ao Senhor, que mostrava o pecado cometido por eles e dava o livramento. 


O chamado de Gideão para ser juiz de Israel aconteceu em um dia comum, quando ele estava "escondidinho", malhando (debulhando) trigo no tanque de pisar uvas, uma forma estratégica de não ser descoberto pelos inimigos. Naquele tempo, os juízes eram líderes político-militares, civis e libertadores, levantados por Deus em momentos de crise para salvar as tribos de Israel dos povos inimigos e restaurar a ordem. Eles tinham trabalho próprio e vida comum. Certo dia, quando Gideão estava trabalhando, o Anjo do Senhor apareceu a ele e disse: - "Você é corajoso, e o Senhor está com você". A resposta de Gideão foi: - "Se o Senhor Deus está com o nosso povo, por que está acontecendo tudo isso com a gente?" (Juízes 6:12-14) Vemos aqui que Gideão questionou a Deus. A realidade que ele estava vivendo era difícil demais. A visão de Gideão sobre si mesmo e sobre Deus estava contaminada pela triste realidade de um cenário de opressão e destruição. Era como se ele tivesse perdido a própria identidade. Mas o mais importante aqui é como Deus via Gideão - homem valoroso e valente. Muitas vezes a visão que temos a nosso respeito pode estar corrompida pelas experiências que vivenciamos. Deus vê o nosso interior, enxerga o potencial que temos, embora muitas vezes não consigamos enxergar nada de bom em nós. No verso 14, o Senhor entrega a grande missão para Gideão: - "Vá com toda a sua força e livre o povo de Israel dos midianitas". Gideão retrucou: - "Como assim? Eu?" "Senhor, como posso libertar Israel? A minha família é a mais pobre da tribo de Manassés, e eu sou a pessoa menos importante da minha família!". (v.15) Isso parece uma crise de identidade e autoestima. Mas...quem nunca? A nossa visão sobre nós pode ser corrigida por Deus como foi a de Gideão. 


Primeiramente, Deus nos vê como pessoas de valor. O nosso valor não está atrelado ao que temos, mas sim ao que somos em nossa essência. Gideão estava lá "escondidinho", fazendo o trabalho dele da melhor forma possível naquelas circunstâncias, na invisibilidade, lutando para sobreviver. Deus o achou, levantou e o chamou para a missão de guerrear e vencer os midianitas. Além disso, somos mais fortes do que pensamos. (Juízes 6:14) Gideão parecia não ter força. Todavia, Deus via muita força nele. Ele tinha dentro dele um forte líder guerreiro esperando para se manifestar. Mesmo assim, não podemos nos firmar apenas na nossa força pessoal. Ao se sentir incapaz para a missão, Gideão recebeu do Senhor o suporte necessário: "Você pode fazer isso porque eu o ajudarei. Você esmagará todos os midianitas como se eles fossem um só homem". (v.16) Podemos contar com o Senhor para nos ajudar a enfrentar e vencer os desafios que surgem. Por fim, Deus pode transformar a nossa visão e, consequentemente, a nossa história, se permitirmos, como fez com Gideão.