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Sueli Barão

Podemos escolher

13 fevereiro 2022 - 08h00 Por Gabriely Machado
Podemos escolher


Não podemos escolher tudo nessa vida. Mas diria que 90% do que vivemos são consequências de nossas escolhas e decisões. Não temos conhecimento do dia, da hora e forma como vamos morrer. Mas podemos escolher, sim, como vamos viver, mesmo diante das circunstâncias e intempéries da vida. Temos a tendência de pensar que os outros não têm problemas. Achamos que só nós os temos. Geralmente, pensamos que os nossos problemas são maiores e mais graves. Olhando a vida pelas lentes das redes sociais, realmente, podemos nos enganar em nossa percepção sobre nós e sobre os outros. Perceber as pessoas através das lentes da compaixão e do amor é um grande desafio. Para isso precisamos nos importar com o outro. E, nesse mundo tão individualista, as pessoas não fazem disso uma prioridade. Sabemos como Jesus nasceu e morreu. Temos conhecimento sobre os seus feitos, conforme narrados pelos Evangelhos. Mas será que já paramos para pensar sobre a personalidade de Jesus e a forma como viveu aqui na Terra? Julgamos as pessoas pelo que fazem. Todavia, somos muito mais do que aquilo que fazemos, seja bom ou mau. Em geral, quando nos tratam de forma inadequada, quando somos ofendidos, pensamos só nos "defeitos" daqueles com os quais tivemos o conflito. Temos dificuldade para "filtrar" as nossas percepções, reações, sensações, impressões, que foram afetadas por um acontecimento do momento. Ficamos remoendo a decepção sofrida.
Jesus, em sua vida terena, enfrentou muitas decepções. Foi julgado e rejeitado pelos seus, sofreu preconceito e ingratidão, foi traído, abandonado... Jesus sofreu o que nós sofremos na vida. Por isso, ele entende o nosso sofrimento também. No entanto, ele não se tornou amargurado, azedo, ingrato, murmurador, mal-humorado... Jesus era uma pessoa jovial e alegre. Frequentava festas, gostava de interagir com as pessoas, agradando-se de uma boa conversa. Era uma pessoa animada e agradável! As crianças divertiam-no a valer; ou não ficariam perto dele. Crianças gostam de quem as acolhe e brinca com elas. Jesus era uma pessoa de bem com a vida, a sua curta vida de 33 anos. Divertia-se vendo e ouvindo a natureza. Era um observador das coisas, das pessoas, atento aos menores incidentes domésticos: se o pano era velho e o remendo novo; se o vinho novo estourava os odres velhos; se a dona de casa varria o chão, punha sal na comida, amassava farinha. Jesus cultivava os prazeres simples e puros da vida! As "tempestades da vida", as decepções, não tiravam o seu sono e a sua tranquilidade. 
E nós, como ficamos quando enfrentamos decepções? Será que guardamos ressentimento, retribuímos com a mesma moeda, nos isolamos e não confiamos mais em ninguém? Já que pensamos que só nós somos vítimas de incompreensões, decepções, perseguições, vamos nos deter por um momento na vida do apóstolo Paulo, após a sua conversão. Ele foi colocado diante de tribunais, foi expulso de cidades, foi apedrejado, apanhou com varas e foi jogado na prisão várias vezes. Além disso, outros cristãos não o entenderam e se opuseram a ele. Talvez, essa seja a maior dor - abandonado por aqueles que deveriam apoiá-lo. Paulo teve muitas razões para se tornar pessimista e depressivo. Mas ele escolheu superar as decepções, entregá-las a Deus, que é justo e perfeito juiz. Na carta que escreveu aos Filipenses, ele revela sentimentos de positividade, alegria, gratidão e bom ânimo. Na verdade, essa carta de Paulo é provavelmente a carta mais positiva e alegre de toda a Bíblia. E Paulo a escreveu da prisão. Isso nos ensina que podemos, sim, ficar escravizados por sentimentos de amargura pelas decepções que sofremos na vida, ou podemos escolher o caminho do perdão, da compaixão, da paz, do amor, da reconciliação, da superação!