Dois amigos cultivavam o mesmo campo de trigo, trabalhando arduamente a terra com amor e dedicação, numa luta estafante, à espera de um resultado compensador. Passaram-se dois anos e praticamente nenhum retorno. Até que um dia, chegou a grande colheita, satisfazendo os dois agricultores que a repartiram igualmente, eufóricos. À noite, já no leito, um deles pensou: "Eu sou casado, tenho filhos fortes e bons, uma companheira fiel e cúmplice. Eles me ajudarão no fim da minha vida. O meu amigo é sozinho, não se casou, nunca terá um braço forte a apoiá-lo. Com certeza, vai precisar muito mais do dinheiro da colheita do que eu". Levantou-se silencioso para não acordar ninguém, colocou metade dos sacos de trigo recolhidos na carroça e saiu. Ao mesmo tempo, em sua casa, o outro não conciliava o sono, questionando: "Para que preciso de tanto dinheiro se não tenho ninguém para sustentar, já estou idoso para ter filhos e não penso mais em me casar. As minhas necessidades são muito menores do que as do meu sócio, com uma família numerosa para manter". Não teve dúvidas, pulou da cama, encheu a sua carroça com a metade do produto da boa terra e saiu pela madrugada fria, dirigindo-se à casa do outro. Na estrada escura e nebulosa daquela noite de inverno, os dois amigos encontraram-se frente a frente. Eles se abraçaram e choraram copiosamente. Amigo leitor, empatia é a capacidade de sentir o que uma outra pessoa sente caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, ou seja, procurar experimentar o que sente o outro a fim de tentar compreender sentimentos e emoções. Mas parece que muita gente arrancou a página do dicionário que continha a palavra empatia. Com o advento das redes sociais e do whatsapp, muita gente fez florescer o que tinha de pior dentro de si, e alem de se afastar do próximo, faz questão de maltratar, diminuir e criticar da forma mais vil e destrutiva.


