Há uma semana a Comunidade católica se despediu de uma mulher que não passará pela nossa história como alguém que simplesmente viveu entre nós. Maria José, irmã do Dito que trabalhou por muitos anos no Ginásio Paulo Portela, mesmo vivendo com a sindrome de Down, deixou um legado.
Sua voz, tantas vezes ouvida em nossas celebrações, em nossas catequeses e nas histórias que contava sobre Nossa Senhora e sobre os santos, agora silenciou aos nossos ouvidos. Mas aquilo que ela anunciou continuará ecoando em nossos corações.
Maria José era uma mulher de fé, de estudo e de coragem. Conhecia os documentos da Igreja, conhecia a história dos santos, conhecia a Palavra e, mais do que conhecer, sabia partilhar. Tinha o dom de transformar conhecimento em ensinamento e ensinamento em testemunho.
Na Comunidade de Jd. Neba ela foi grande naquilo que realmente importa: servir.
Amava a Eucaristia de uma maneira que emocionava. Servia o altar com uma dedicação que parecia dizer, em cada gesto, o quanto acreditava na presença de Cristo.
Conhecia os ritos, os documentos, a história e a tradição da Igreja. Se fosse possível uma mulher receber o sacerdócio, talvez Maria José fosse, para muitos de nós, a primeira mulher que imaginaríamos ali: diante do altar, servindo, estudando, ensinando e entregando tudo o que tinha a Deus.
Mas, talvez, sem perceber, ela já exercia uma forma muito bonita de sacerdócio: o sacerdócio do serviço, da entrega, do testemunho e do amor.
Maria José catequizou muito mais do que pessoas. Catequizou vidas.
Ensinou que ser cristão não é apenas conhecer a doutrina, mas viver o Evangelho. Ensinou com as palavras, mas principalmente com os gestos. Foi aquela pessoa que lavou os pés dos discípulos no sentido mais profundo da expressão: colocou-se a serviço.
Serviu quando ninguém estava olhando. Enfrentou desafios. Foi corajosa. Permaneceu firme quando seria mais fácil desistir. E fez de sua fé uma presença viva no meio da comunidade.
Ela foi sal e luz.
Sal que dava sabor à caminhada de tantas pessoas.
Luz que ajudava a enxergar o caminho.
Voz que anunciava o Evangelho.
Mãos que serviam.
Coração que amava a Igreja.
Mulher que amava Maria.
Servidora que amava a Eucaristia.
Hoje, a saudade já dói.
Vamos sentir falta da sua voz, das suas histórias, dos seus ensinamentos, das suas explicações, da sua presença no altar e daquele jeito tão próprio de falar da fé.
Mas uma mulher como Maria José não parte completamente.


