A medalha de prata conquistada pela skatista Rayssa Leal nos Jogos Olímpicos de Tóquio segue trazendo boas notícias para o Brasil. Nesta semana, a “fadinha”, como é conhecida, foi eleita a atleta que melhor representou os valores olímpicos. Como prêmio, a skatista pôde escolher uma instituição social para receber uma doação de US$ 50 mil (cerca de R$ 262 mil), e a escolhida foi a Organização Não Governamental (ONG) Social Skate, de Poá.
A ONG já atua há 10 anos em Calmon Viana e atende crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. Através da inclusão social por meio do skate, a entidade promove aulas da modalidade e passeios a lugares que discorrem sobre a história do País e com ligação ao esporte.
Segundo Sandro Soares, o Testinha, como é conhecido o fundador da ONG, a indicação ao prêmio através da Fadinha chegou de surpresa e em bom momento.
“Eu estava tranquilo com o meu celular, até que fui olhar as notificações e a página da ONG começou a ganhar muitos seguidores em pouco tempo. Fui rolando a barra e vi que a Fadinha tinha nos mencionado em uma publicação contando da indicação. Foi uma surpresa”, conta.
Dali em diante, começava a campanha de votação e os números de novos seguidores ganhavam cada vez mais expressão. Pessoas de vários lugares do mundo passaram a compartilhar as postagens da entidade e marcar em posts.
Até a conquista do prêmio, o fundador da ONG chegou a pensar que não seria possível, devido às dificuldades de acesso à plataforma de votação, que estava em inglês. Contudo, o apoio da rede de compartilhamento superou as expectativas.
“Nossa vontade de ganhar foi muito grande, mas a plataforma era em inglês. Pensei que os outros competidores teriam mais facilidade em ter votos, mas foi tudo muito grande”, relata.
Apesar do recurso destinado ainda não ter chegado à entidade, a expectativa é que a verba auxilie na ampliação das atividades que já são oferecidas. Hoje a ONG conta com 114 inscritos, sendo 40 meninas que se espelham na Fadinha.
De acordo com Testinha, o espírito olímpico apresentado por Rayssa durante a competição demonstra o que é a mensagem que o skate passa. Além de ter ganho a torcida de todo o País, a skatista também chamou atenção por vibrar a cada manobra das adversárias e abraçar efusivamente a japonesa Nishiya Momiji, que ficou com o ouro na disputa com a própria brasileira.
“O skate é isso. Não importa sua classe social ou onde mora. Na pista todos torcem para todos e não há divisão. Trata-se de um esporte democrático”, completa.