O delegado Rubens José Ângelo, do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), disse nesta quinta-feira, 17, que uma soma de elementos provou a inocência de Kaue Oliveira Francisco, de 21 anos, e dos dois ambulantes mortos Bruno Nascimento Martins de Souza e Rodinei Alves dos Reis, 32 e 33, respectivamente. Agora, a polícia irá aguardar laudos, que devem sair entre 30 e 60 dias, para poder tipificar a conduta dos guardas municipais de Itapecerica da Serra.
Em entrevista coletiva à imprensa, o delegado enumerou, ao menos, seis pontos dos quais expõem a inocência dos três ambulantes. Os principais vieram a partir da divulgação das filmagens do dia do crime, bem como o fato de o veículo utilizado por eles ter sido identificado no sistema detecta, quando ia e voltava de Aparecida. “Precisávamos de elementos probatórios para solicitar a soltura de Kaue. Ele é inocente. Não tiveram nada haver com este crime”. A decisão para o alvará de soltura de Kaue foi dada pela 2ª Vara Criminal de Itaquaquecetuba.
“Falei pessoalmente com Kaue. Ele era trabalhador. Há vídeos deles (grupo de amigos) preparando as coisas para ir ao Santuário de Aparecida. Ele está em choque com tudo o que ocorreu”, disse o delegado.
Punição aos guardas
Questionado pelos jornalistas sobre a punição aos guardas municipais, o delegado frisou que aguardará laudos - que podem sair entre 30 e 60 dias - para poder tipificar a conduta de cada um. “É preciso aguardar os laudos, para saber como cada um será individualizado penalmente”. Os resultados serão conclusivos para comprovar, por exemplo, excesso dos GCMs de Itapecerica da Serra, quem atirou nos ambulantes, de onde partiu a bala que matou a enfermeira etc.
Um desses laudos seria o de corpo de delito em Kaue. O delegado apura a conduta de um dos guardas, o qual teria espancado, dado coronhadas e amarrado o jovem com uma corda.
Para Ângelo, o fato de os ambulantes terem sido alvo de mais de 15 disparos realizados pelos guardas foi uma triste coincidência. “As imagens mostram que os bandidos chegam por um lado e as vítimas em sequência. Os guardas não viram, porque ou estavam de costas ou distraídos”.
Segundo Ângelo, a expectativa é de que até sexta-feira ouça os guardas novamente. É importante lembrar que os agentes foram afastados administrativamente pela Prefeitura de Itapecerica da Serra. “As armas usadas por eles (GCMs) eram registrada pela Prefeitura. Vamos verificar se eles poderiam estar com elas etc”.
O delegado comentou ainda sobre o andamento da investigação. A polícia ainda tenta identificar o segundo bandido que participou do roubo. “Fomos (no CDP de Suzano) falar com este bandido preso. Ele nega participação, mas é dissimulado. Quando procurou ajuda no PS de Suzano, afirmou ter sido vítima de roubo após churrasco na casa de conhecidos. Mas não diz nomes. Ele é extremamente frio”, disse.
Ângelo falou que irá solicitar à Prefeitura de Suzano imagens do Centro de Monitoramento, para verificar quem teria socorrido o suspeito.