Oficiais de Justiça realizaram, na manhã e tarde de ontem, busca e apreensão de documentos em endereços ligados ao ex-prefeito de Ferraz, Jorge Abissamra (PSB), incluindo a residência do político. A ordem foi emitida pelo juiz da 3ª vara Cível, André Forato Anhe. Segundo a Procuradoria do município, a ação foi determinada por conta de irregularidade na contratação, feita pela Prefeitura, de uma empresa por R$ 3 milhões que não prestou os serviços previstos. A Justiça pediu o bloqueio dos bens de todos os réus do caso, incluindo do ex-prefeito. A operação aconteceu simultaneamente no Hospital Pró-mater Santo Antônio e no comitê de campanha do ex-prefeito, ambos em Ferraz, e na residência do político, em Suzano. Ela foi contratada, durante o mandato de Abissamra, para implantar guias e sarjetas. Porém, a empresa não conseguiu provar à Justiça a realização do serviço. De acordo com a Procuradoria, apesar da ordem para o bloqueio dos bens de Abissamra, a Justiça encontrou poucos documentos em nome do político. A operação teve como objetivo encontrar registros de imóveis ou empresas que pudessem ser de propriedade do ex-prefeito. Por volta do meio-dia, dois oficiais foram até a residência do político, situado no Centro de Suzano. Com eles estavam cinco policiais militares, que acompanharam a ação. Segundo a advogada da Procuradoria , Sandra Cristina Holanda, documentos foram encontrados e serão levados até o juiz para perícia. "Conseguiram encontrar muitos contratos e matrículas de imóveis e empresas ligadas a ele". Apesar de não estarem no nome do político, a documentação será encaminhada ao Fórum. No hospital, localizado na Praça da República de Ferraz, que é de propriedade do ex-prefeito, também realizaram a procura de documentos. A operação foi feita por duas oficiais de Justiça e um dos procuradores do município, Gabriel Nascimento Lins de Oliveira, escoltados por agentes da Polícia Militar. O comitê de campanha de Abissamra também foi alvo das buscas. De acordo com Gabriel, apesar de nada ser comprovado até o momento, a busca foi satisfatória. "O resultado nos lugares foi muito satisfatório, ainda mais por termos achado documentos no apartamento do ex-prefeito. Não localizamos o patrimônio, mas a busca teve ótimas respostas. É razoável e esperado que quando o sujeito adquire patrimônio de forma ilícita, ele o oculte. Por conta disso, é provável que esse patrimônio não seja localizado de forma oficial, mas vamos continuar com as investigações", afirmou. "Já existem documentos provando que de 2010 a 2012 transitaram pela conta oficial do ex- prefeito mais de R$ 1,6milhão. Isso já está provado pela COAF e pelo Ministério Público". ABISSAMRA Além do ex-prefeito, a Procuradoria citou o nome de mais três réus do caso, incluindo ex-secretários. O advogado de Abissamra, Cristiano Vilela, divulgou o posicionamento do ex-prefeito. Segundo ele, o episódio de ontem não teve fundamento legal. "É nitidamente um capítulo da disputa eleitoral que está movimentando o município. Foram procedimentos despropositados. Conotação eleitoral, justamente por conta do momento", explicou. O advogado informou ainda que devido a isso, está questionando a ação judicialmente. "Estivemos no fórum local. Temos segurança que a medida foi despropositada".