A Secretaria de Saúde do Estado divulgou que 57 moradores do Alto Tietê passaram por transplantes de órgãos neste ano. O maior número de transplantes, disparado, foi de córneas, com 41 casos. Outros 10 foram de rim, além de dois casos de transplantes de pâncreas, de pulmão e de fígado. Entre 2016 e 2017, foi contabilizado aumento de 20,69% de transplantações feitas em moradores da região.
Neste ano, dos 57 transplantes de órgãos realizados, 20 foram em moradores de Mogi das Cruzes. Do total, 14 foram de córneas, quatro de rim e dois de pâncreas e rim. Em 2º lugar do ranking vem Itaquaquecetuba, com 12 casos de transplantes: 10 de córneas, um de rim e um de fígado. Logo atrás aparece Suzano, tendo 10 casos, sendo oito de córneas, um de rim e um de fígado.
Poá registrou cinco transplantes. Um deles foi de rim e outros quatro de córneas. Ferraz de Vasconcelos também computou o mesmo número da cidade poaense, porém sendo quatro de córneas e um de pulmão. Em Arujá, houve três transplantações: um de rim, um de córneas e um de pulmão. Santa Isabel e Salesópolis realizaram um transplante cada uma, sendo ambas de rim.
Nenhum morador dos municípios da região, neste ano, ainda recebeu transplantes de coração e pâncreas isolado.
Aumento
De 2016 a 2017, o Alto Tietê computou aumento de 20,69% de realizações de transplantes. Há dois anos, foram registrados 116 procedimentos. Já no ano passado foram feitos 140. Durante os períodos, o transplante de córneas ainda continua como o maior número de casos, sendo 60 realizadas em 2016 e 91 em 2017.
Neste tempo ainda, Suzano foi a única cidade que realizou um transplante de pâncreas isolado.
Doadores
Atualmente, a região conta com 12 doadores viáveis para realização de transplantes. Destes, oito são de Mogi e quatro de Itaquá.
Especialista
A coordenadora da Central de Transplantes do Estado de São Paulo, Marizete Medeiros, avaliou como positivo os 57 transplantes de órgãos realizados em moradores do Alto Tietê e ressaltou que o aumento de 20% entre 2016 e 2017 de transplantes é reflexo do crescimento que também teve em todo o Estado no ano passado, porém de 22%.
Ela ainda comentou que a fila maior de espera é por transplantes de rim. Para avaliar o número de transplantes realizados em toda a região com precisão, Marizete comentou que deveria ter um denominador para saber a real necessidade de transplantes nas cidades. Contudo, adiantou que 57 procedimentos é um número bom.
"Precisa ver com os secretários de Saúde dos municípios quantos pacientes e se eles têm dificuldades quando identificam um paciente que precisa de um encaminhamento para transplante, o que acredito que não, pois temos um sistema robusto que consegue atender a todos pacientes", explicou.
O transplante de rim é o de maior fila. Segundo a coordenadora, pacientes que necessitam do órgão, a demora pode ser até a partir de um ano. "Além de ser o mais procurado, depende também se o paciente recebeu muita transfusão ou já foi transportado. Não acontece a demora pela oferta do órgão, mas sim por questões de saúde do paciente, como por exemplo, precisa saber se ele produz anticorpos contra o órgão que pode chegar ao corpo, para ver se é compatível. Para se ter ideia, tem paciente que está na fila há 10 anos", comentou.
Em relação ao aumento entre 2016 e 2017, Marizete disse que o número é reflexo dos resultados do Estado. "Em 2017, o Estado recebeu o maior número de doadores de diferentes órgãos. Ao todo, foram 1.014. Atingimos um aumento de 22% de transplantes realizados. Esse ano a meta é 24%. A cada ano cumprimos nossa meta e constantemente incentivamos a doação, que é super importante para ajudar outras pessoas", completou.