O bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, que está à frente da Diocese de Mogi de Cruzes, se posicionou contra ao decreto de flexibilização da posse de armas de fogo estipulado pelo governo Bolsonaro. Para ele, a facilidade da aquisição é uma medida imprópria do governo, uma vez que dados apontam que aumento de armas de fogo gera o crescimento da violência.
"A posse significa que a pessoa pode possuir armas em casa e em outros ambientes de sua propriedade. Se isso já existe, por que trazer essa discussão na sociedade? Por que facilitar a posse? O Presidente, e quem defende isso, o fazem em nome da segurança, mas levantamentos comprovam que aumento das armas significa aumento da violência", opina.
O bispo também afirma que esse assunto não deveria ser prioridade do governo visto que o País enfrenta diversos problemas na área da educação, saúde, segurança e problemas sociais. Ele lamenta o atual cenário nacional e relembra a campanha de desarmamento que contou com o apoio da igreja católica e entidades filantrópicas em prol do bem estar dos cidadãos.
"É uma pena que o ambiente social hoje seja tão diferente do que se respirava há quatorze anos, quando uma bonita e saudável campanha uniu a sociedade. Não é armando a população que se vai diminuir a violência", afirma.
Para Stringhini, a flexibilização da posse de armas irá servir apenas para beneficiar o comércio de armas de fogos e pessoas com a situação financeira positiva. "É ilusório pensar que o povo terá mais facilidade de adquirir armas. Elas custam caro e quem terá acesso serão os delinquentes, os ricos, os traficantes e as milícias", conta.
Posição da Igreja
Para a Igreja, a discussão sobre armamento não deveria existir. Segundo Stringhini, a arma de fogo só é uma forma de proteção quando bem usada por um responsável, no caso os policiais e seguranças. Portanto, é inadmissível para ele, que o Estado sugira a arma como auto defesa. "O cidadão comum, especialmente os pobres, serão as primeiras vítimas de uma política como essa. O cidadão tem direito de se sentir seguro sem precisar ter arma em casa", conta.