Medo em se contaminar, déficit de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a falta de treinamento específico para o combate ao novo coronavírus. Esses foram os principais apontamentos de profissionais de enfermagem do Alto Tietê, em resposta ao levantamento de sondagem realizado pelo Conselho de Enfermagem (Coren-SP). O resultado foi divulgado esta semana ao DS.
Dias 14 e 21
A pesquisa, realizada entre os dias 14 e 21 de abril, obteve a resposta de 120 profissionais de enfermagem da região, que trabalham tanto em hospitais públicos (municipais e estaduais) quanto em privados. No Estado, foram 5.451 retornos quanto à situação vivenciada no dia-a-dia.
No Alto Tietê, 80% das pessoas ouvidas afirmaram ter medo em atuar nos serviços de saúde, em especial diante do cenário de pandemia provocada pela Covid-19.
63%
Estudo mostra, ainda, que 63% dos consultados trabalham com pacientes positivados pelo novo coronavírus.
Dados obtidos pelo levantamento põem à risca a situação de profissionais de enfermagem na região.
Dos 120 entrevistados, 51% afirmou que a instituição não forneceu os EPIs necessários para o atendimento de infectados e/ou pessoas com suspeita da doença.
Falta de treinamento é um dos pontos apontados em pesquisa
Segundo o levantamento, a falta de treinamento dado pelos hospitais foi um dos pontos levantados. O estudo indicou que 42% afirmou não ter recebido nenhum tipo de instrução do local em que atua.
Para se ter uma ideia, a maioria dos profissionais consultados trabalham em unidades privadas e públicas municipais: 36% cada, respectivamente.
Em relação às pessoas que atuam em hospitais estaduais, são 23% (há, por exemplo, casos de duplo vínculo de trabalho).
O Coren-SP pontuou que essa sondagem é uma ferramenta complementar aos canais oficiais de denúncia e serve como forma de conhecer de maneira mais ágil a percepção dos profissionais neste momento.
Completou dizendo que denúncias seriam averiguadas, com possibilidade de notificação às instituições para adequação e de encaminhamento ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
"Os resultados desse levantamento servirão também como elementos de dialogo junto às autoridades das mais variadas esferas para a busca de melhorias nas condições de trabalho da categoria", afirmou o presidente em exercício da Coren-SP, Cláudio Luiz da Silveira.
Além da fiscalização no período de pandemia, a entidade realiza um atendimento online aos profissionais de saúde e à sociedade.
Dados da Coren-SP apontam para um total de 9.913 atendimentos pelo chat sobre a Covid-19; 1.555 da Ouvidoria; 878 no Fale Conosco; e 361 levantamentos referentes aos riscos na assistência de enfermagem.