O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil estima que entre 10 e 12 ferroviários contraíram o novo coronavírus (Covid-19) nas linhas 11-Coral e 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) - ambas que atendem a região.
Segundo o secretário geral do sindicato, Múcio Alexandre, pelo menos duas pessoas - que trabalham nas linhas 11 e 12 - morreram de coronavírus. A base do sindicato conta com cerca de 2,5 mil funcionários.
A estimativa é de que 1 mil pessoas de diferentes cargos estão em home office, juntando todas as linhas do sistema. Essas são as que pertencem ao grupo de risco do novo vírus.
"Estimamos que, mais ou menos 1 mil em todo o sistema, estão de home office. Eles são de todos os cargos e segmentos da empresa, como administração, segurança, estação, tração e Centro de Controle Operacional (CCO). Não temos dados oficiais, porque a empresa não divulga. São estimativas", afirma Alexandre.
Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos informou que a CPTM cuida das vidas dos colaboradores para garantir o transporte dos trabalhadores de serviços essenciais. A pasta foi questionada sobre a veracidade dos números passados pelo sindicato, e não os desmentiu.
No documento, a pasta diz ainda que os empregados que apresentam sintomas suspeitos e integram o grupo de risco são afastados previamente, e que "todas as ferramentas necessárias são disponibilizadas aos trabalhadores da Companhia, permitindo que eles voltem diariamente para as suas casas com saúde".
Parar o sistema
Inicialmente, o sindicato quis parar totalmente o sistema de trens, mas outras questões foram discutidas com a CPTM. Surgiu então a ideia de reduzir o número de passageiros nos trens, mas o plano é considerado "complexo" pelo sindicato.
"Se você diminuir o intervalo de trens, terá que aumentar o número de funcionários. Com a pandemia e com os funcionários em condição de risco em home office, houve redução do quadro, e ficou impossível fazer esse controle", justifica o secretário.
Os ferroviários estão preocupados com a pandemia, porque muitos funcionários têm contato direto com as estações e com a população. Assim, o sindicato tem acompanhado de perto a situação dos colaboradores.
"Estamos mantendo contato diário com a direção da empresa, para que em toda a condição insegura ou mais complexa, a empresa já possa atuar com maior rapidez", disse Alexandre.